A travessia da Balsa

Na primeira década do século XX, o automóvel começou a ganhar as ruas das cidades e se tornou definitivamente objeto de desejo das classes mais altas da sociedade. Em Santos não foi diferente e era comum observar o trânsito tranquilo dos velhos calhambeques pelas vielas do centro ou nas principais avenidas da crescente zona da orla. Mas os santistas queriam mais. Desejavam poder viajar até o distante balneário do Guarujá, acessível tão somente pelas barcas que saíam da região da Alfândega e chegavam até Itapema. Lá, um trem conduzia os visitantes até as Pitangueiras, onde ficava o fabuloso Hotel La Plage, um dos mais sofisticados do estado de São Paulo.

Diante da pressão não só dos santistas, mas de veranistas paulistanos que possuíam suas casa de praia no balneário santista (Guarujá pertenceu a Santos até 1934), o Governo do Estado abriu uma estrada das Pitangueiras até o bairro de Santa Rosa, onde foi instalado um píer para atracação de balsa, na margem do estuário, sendo que outro atracadouro fora erguido no lado da Ponta da Praia. Assim, em 1918, era inaugurado o serviço de travessia de veículos por balsa, sendo que a primeira delas, a Ferry-Boat 1 (FB-1), feita totalmente de madeira, atravessou os 400 metros do canal de acesso ao porto em pouco mais de 20 minutos, levando consigo seis calhambeques (sua capacidade máxima).

Com a crescente demanda, outras três embarcações foram colocadas em serviço: as FBs 2, 3 e 4, sendo as duas primeiras para sete carros e a terceira para 16. Na década de 1930 vieram as embarcações 5, 6, 7 e 8, cada uma para 20 veículos, estas feitas de aço, com sucatas de guerra. O serviço, até então, era mantido pelo município de Santos. Somente em 1946 é que o Estado assumiu o comando da travessia.

Até o final dos anos 1980, o sistema de balsas, que funcionava ainda na base da atracação por cordas em piers de concreto, passou por uma ampla reformulação e ganhou plataformas flutuantes de aço. Na época, a travessia ainda era operada pelo Departamento Hidroviário (DH), ligado à Secretaria de Estado dos Transportes.

No início da década de 90, entrava no comando a Dersa, pertencente ao mesmo órgão. Em 1996, a estatal terceirizou as operações, mantidas até hoje desta forma.

Deixe uma resposta