Santos em 1875, no levantamento da revista “A Província de São Paulo”

Em 1875, Santos era uma cidade em franco ritmo de crescimento. A ferrovia já havia chegado e potencializado o fluxo de exportação, em especial do café, através do porto, cujas bases de modernidade já eram sonhadas, mas ainda distantes da realidade traduzida na forma de velhos trapiches de madeira. Ainda que uma promessa de futuro, Santos era apontada como a segunda cidade mais importante do Estado de São Paulo, muito por conta de seu riquíssimo passado e por ter sido o berço de figuras de notável destaque para a vida nacional, como os irmãos Andrada (José Bonifácio, Antônio Carlos e Martim Francisco); os irmãos Gusmão (Padre Bartholomeu e Alexandre), além das figuras dos remotos tempos das bases da colonização.

Em razão disso, Santos era sempre citada na literatura técnica e geográfica (almanaques e enciclopédias) desde os remotos tempos da imprensa no Brasil. O Memória Santista teve acesso a uma interessante publicação editada em 1875, pelo senador Joaquim Floriano de Godoy, intitulada “A Província de São Paulo”. Nela, Santos ganha um pequeno capítulo, onde é descrita por suas características geográficas e de aspectos sociais. É possível, nesta leitura, ter uma ideia do que era a cidade naquele quartel final do século 19.

Segue o texto, na íntegra (com ortografia atualizada).

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CIDADE DE SANTOS

Santos é a segunda cidade da província e sua capital marítima. É por seu porto que se efetua a exportação e é por ele que segue a importação para essas zonas.

Erguem-se na sua barra, no litoral, três fortalezas artilhadas e guarnecidas de tropas que são: Fortaleza da Barra Grande, Fortaleza de Bertioga e Forte Augusto. Possui um pequeno arsenal de artigos bélicos; tem um farol na Ilha da Moela, que serve para indicar sua barra.

Há ali um comandante militar e possui uma companhia de aprendizes artilheiros.

Tem a praticagem do porto para conduzir as embarcações, tanto na Barra Grande como nas águas da cidade. A alfândega é bastante importante.

Entraram pelo porto de Santos 598 colonos contratados para os estabelecimentos agrícolas de Nova Louza; outros por conta da sociedade Auxiliadora da Colonização e para o London Brazilian Bank (Colonia Angelica).

A população de Santos nos limites da cidade é de 1.650 fogos com 9.871 habitantes. Destes são católicos 9.678 e acatólicos, 193. Dos estrangeiros, são:

931 portugueses, 255 africanos, 137 alemães, 75 franceses, 55 espanhóis, 35 norte americanos, 31 ingleses, 18 suíços, 18 italianos, 4 suecos, 3 holandeses, 3 austríacos, 3 chineses, 2 dinamarqueses, 2 argentinos, 1 belga e 1 russo.

A Áustria, Dinamarca, Holanda, Suécia, Noruega, Bélgica, França, Itália, Portugal, Alemanha, Argentina, Estados Unidos, Peru, Uruguai e Chile são ali representados por cônsules.

CASAS BANCÁRIAS

Possui Santos os seguintes estabelecimentos de crédito: Mauá & Companhia, English Bank e Banco Mercantil.

COMPANHIAS

União Paulista de Seguros Marítimos e Terrestres, North British & Mercantile, The Royal Insurance Company of Liverpool, Banco Aliança do Porto, Companhia de Melhoramentos, Companhia de Vapores Transatlânticos, Brazilian and River Plate Steam Ship Company, Navegação a Vapor entre Santos e Hamburgo, London & Belgium, Brazil and River Plate, Companhia de Glasgow, River Paraná Steam Ship Company, Navegação a vapor entre Santos e Rio de Janeiro, Linha de Vapor Intermediária.

INSTRUÇÃO

É ministrada pelo colégio Instituto Santista, Colégio Alemão e Colégio Santa Tereza. Além desses estabelecimentos, há diversas cadeiras de ensino primário por conta do tesouro nacional.

TIPOGRAFIAS

Há três onde são publicados três jornais que são: A Imprensa, Diário de Santos e Revista Commercial.

Contém Santos grandes depósitos de sal, açúcar, tecidos de algodão, calçados, frutas, querosene, materiais para obra, moveis, gêneros alimentícios, café, algodão, fumo, toucinho, etc. Há grande comercio de fazendas de lã, linho, algodão, seda, ferragens, etc.

As ruas da cidade são cortadas por carris de ferro para cargas e passageiros, prolongando-se até a histórica povoação de São Vicente.

Possui edifícios públicos notáveis como sejam: igreja matriz, alfândega, cadeia, arsenal de marinha, quartel militar, convento do Carmo e São Bento, etc.

A força pública de Santos, além da policial, é de 6.641 guardas nacionais, sob um comando superior e três batalhões.

Santos é sede de uma comarca, onde reside um juiz de direito, um juiz municipal e um promotor. Tem um tribunal de jurados.

A igreja é dirigida por um vigário, que também é da vara

Essas são as duas cidades mais importantes da província e não trataremos das outras para não alongar por demais este trabalho.

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Cabe dizer que o estudo só publicou um levantamento de Santos e da capital paulista, dentre as 39 cidades, 50 vilas e 41 freguesias da província de São Paulo. As apontadas como principais, além de Santos e São Paulo, foram Campinas, Taubaté, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Jacareí, Mogi Mirim, Itú e Sorocaba. Porém não receberam o tratamento dado aos santistas e paulistanos.

Folha de rosto de “A Província de São Paulo”, produzido pelo senador Joaquim Floriano de Godoy.

Folha de rosto de “A Província de São Paulo”, produzido pelo senador Joaquim Floriano de Godoy.

Rua da Praia, nos tempos do levantamento feito para a revista.

Rua da Praia, nos tempos do levantamento feito para a revista.

páginas que contém os estudos sobre a cidade de Santos em 1875

páginas que contém os estudos sobre a cidade de Santos em 1875

 

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