O “faroeste” norte-americano desembarca em Santos

Não se falava em outra coisa nas ruas da pacata cidade portuária, naquele Verão de 1914. Era 8 de fevereiro, domingo, e as crianças santistas saltitavam empolgadas nos bancos das linhas especiais de bondes que iam até a praia do Boqueirão. Afinal, uma gigantesca arena havia sido instalada nos terrenos pertencentes à Companhia City de Santos, na avenida Conselheiro Nébias, na altura da atual rua Mato Grosso (numa área que englobava inclusive o espaço hoje ocupado pelo Colégio Canadá).

Na dita arena, a ocupação pela famosa “Grande Companhia Norte-Americana”, também conhecida como “Oklahoma Ranch Wild West”, que excursionava pelo mundo levando um espetáculo envolvendo cowboys, cowgirls e índios oriundos do “oeste selvagem”dos Estados Unidos. Personagens que povoavam o imaginário da população santista, vistos tão somente em publicações esparsas de jornais e revistas.

A empolgação também se espalhara entre os homens, que ansiavam assistir as peripécias de cowboys e índios numa teatral batalha por terras, ou das malabarísticas performances nas provas de laço e domínio de touros e cavalos “selvagens”. As donzelas santistas também se sentiam motivadas a assistir aos heróis do oeste selvagem norte-americano, estereótipos de rangers (policiais) valentes e dominadores.

Logo que os primeiros cartazes foram exibidos na cidade de Santos, anunciando o imponente espetáculo, centenas de pessoas se manifestaram com latente desejo de participar do momento único. Afinal, que outra oportunidade teria a população de uma pequena cidade portuária da América do Sul, cuja geografia e clima divergiam abismalmente do cenário desértico do oeste dos Estados Unidos?

Os anúncios também foram publicados em jornais da época, exaltando o “Grandioso Espectáculo Exótico“, com sessões “Matinée” (Cedo), a partir das 16 horas e “Soirée” (Noite), a partir das 20 horas. A chamada, em inglês, animava ainda mais os pretendentes à espectadores. “In an arena wherein every thrilling act incidental to genuine western life is actually reproduced with historic fidelity” (Em uma arena na qual cada ato é emocionantemente incidental à vida genuína do oeste é realmente reproduzido com fidelidade histórica). Realmente, a grande atração era a reprodução do combate entre índios e colonos, por terras.

Eram anunciadas a presença de 350 “atores” e “cavalos” envolvidos. Os preços do espetáculo eram variados. Os camarotes custavam 25$000 (Vinte e cinco mil réis), as cadeiras, 5$000 e as Gerais, onde se ficava em pé, 2$000.

As companhias de bondes, aproveitando o crescimento de demanda de passageiros para o Boqueirão, aumentou o número de carros, todos saindo do Largo do Rosário.

Entre os números mais esperados, havia o da “Princesa Oklahoma”, a jovem Lucille Mithall, uma hábil atiradora, que acerta o alvo a grandes distâncias com uma espingarda carregada de chumbo.

Sem dúvida, um grande acontecimento que marcou a cidade de Santos!

O show "Oklahoma Ranch Wild West" era produzido por Arlington

O show “Oklahoma Ranch Wild West” , produzido por Arlington & Beckmann, foi montado a partir de 1913. Santos foi a primeira cidade brasileira a receber a excursão do grupo norte americano. Na sequência, o espetáculo percorreu São Paulo e Rio de Janeiro.

Anúncio do Espetáculo no jornal A Tribuna, em 8 de fevereiro de 1914. População criou grande espectativa em torno da novidade.

Anúncio do espetáculo no jornal A Tribuna, em 8 de fevereiro de 1914. População criou grande espectativa em torno da novidade.

Lucille Mithall, a princesa de Oklahoma, hábil atiradora com espingarda de chumbo.

Lucille Mithall, a princesa de Oklahoma, hábil atiradora com espingarda de chumbo.

 

 

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