City oferece bonde de graça para torcedor do Santos FC

Era fevereiro de 1918. O Santos Football Club, fundado em abril de 1912, vinha se solidificando entre os times de futebol do Estado de São Paulo. Depois de uma frustrante estreia no Campeonato Paulista de 1913, em que o clube desistiu no meio do torneio, por conta dos altos custos das viagens até a capital, onde ocorriam as disputas (na Chácara da Floresta), a equipe retornava em 1916, no mesmo ano em que inaugurou sua própria praça de esportes, no bairro da Vila Belmiro. O primeiro jogo em casa foi contra o Ypiranga, com vitória alvinegra por 2×1, com gols de Millon e Jarbas, em 22 de outubro.

A existência de um campo próprio animou a cidade e o aumento gradativo de torcedores “peixeiros” foi notório. Ao longo do Campeonato Paulista de 1916, a Vila Belmiro sediou ainda outros seis jogos, com três vitórias (2×0 e 4×0 no AA das Palmeiras; 1×0 Palestra Itália, que estreava no torneio) e três derrotas (3×4 para o AA São Bento; 1×5 para o Mackenzie e 2×5 para o Paulistano, que se consagraria como campeão daquele ano pela Associação Paulista de Esportes Amadores – APEA).

Em 1917, foram nove jogos disputados na Vila Belmiro, dos 16 jogados pelo Peixe, com cinco vitórias (contra São Bento, Mackenzie, Internacional, AA das Palmeiras e Ypiranga), dois empates (com Corinthians e Mackenzie) e duas derrotas (para o Palestra Itália e o campeão Paulistano). O time santista ficou numa ótima quarta colocação, perdendo para o terceiro, o Corinthians, apenas no saldo de gols.

Com belas apresentações, a população santista passou a frequentar a Vila Belmiro com mais intensidade, a ponto de provocar uma espécie de colapso no sistema de transporte público (bondes elétricos).

Para atender a demanda pós jogo, a empresa concessionária, a The City of Santos Improvments Company (CSIC), se viu obrigada a remanejar carros de suas linhas normais para atender os torcedores. Os bondes ficavam perfilados ao longo do Canal 2, na saída da Rua Tiradentes e, de lá, iam para os mais diversos bairros da cidade e até para São Vicente.

Porém, a empresa não dispunha de carros sobressalentes para atender tamanha demanda e, assim, acabava desguarnecendo o atendimento para o resto da população.

Diante da situação, preocupada com as inúmeras reclamações de usuários não torcedores, em fevereiro de 1918, a City decidiu publicar um comunicado geral  informando sobre uma mudança de estratégia. Ao invés de manter linhas de bonde à disposição dos torcedores para levá-los a todos os cantos da cidade, o que acabava acarretando em maiores atrasos nas linhas (uma vez que os bondes obedeciam itinerários por demanda de atendimento), a empresa resolveu oferecer transporte gratuito aos torcedores santistas, porém somente até a Estação de Bondes da Vila Mathias. De lá, os torcedores tomavam os bondes normais para suas casas e pagavam a passagem normal por isso.

Apenas o bonde 17 estava fora da gratuidade, porque era uma linha que passava regularmente ao lado da Vila Belmiro.

A gratuidade dos outros carros foi muito boa para os moradores da Vila Mathias, que aproveitavam a “mamata” para ir de bonde, para casa, na “faixa”.

bondedegraca

Os bondes disponibilizados para os torcedores só iam até a Estação da Vila Mathias.

Os bondes disponibilizados para os torcedores só iam até a Estação da Vila Mathias.

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