Blocos Carnavalescos comandaram os 101 primeiros anos do Carnaval Santista

De 1857 até 1958, ou seja, por 101 anos, o Carnaval Santista foi dominado por grupos carnavalescos dos mais variados estilos, fossem eles sociedades moderadas, blocos provocadores, grupos de choro, ranchos folclóricos, entre outros.

Nos idos do nascedouro do Carnaval Santista, no início da segunda metade do Século XIX, as primeiras sociedades carnavalescas deram início ao modo santista de festejar os dias que antecedem a quaresma, o tal “Carnevale”, ou Carnaval, a festa do fanfarrão Rei Momo.

Como já dissemos em postagem recente, a primeira entidade de folia nascida por aqui foi a Sociedade Carnavalesca Santista, em 1857. E, como o próprio nome diz, se tratava de uma “sociedade”. Assim, só os “associados” poderiam participar das brincadeiras de um Carnaval que tinha a pretensão de ser mais organizado e civilizado do que as brincadeiras até então desenvolvidas na cidade (no caso, o entrudo, de origem lusitana e considerado muito violento).

Com o passar do tempo, os foliões santistas foram tomando gosto pelos “congressos” (desfiles) realizados no período de Carnaval e saiam às ruas cada vez mais fantasiados. Os jovens da cidade ficavam muito empolgados com as batalhas de confetes e bailes de máscaras.

Porém, junto com a empolgação, vieram as ideias conflituosas entre os membros da agremiação. Discussões calorosas se davam durante a discussão dos temas que deveriam serem abordados nos congressos, assim como havia palpites distintos sobre tipos de roupa e conceitos gerais. Diante dessa situação cada vez mais latente, as cisões começaram a surgir, e,consequentemente, a proposta pela criação de novas associações de finalidade carnavalesca. Assim, como uma célula que se divide para expandir, as novas sociedades foram pipocando pelas ruas santistas.

A primeira a surgir a partir da SCS foi a Sociedade Carnavalesca Clube XV. É isso aí! O mesmo Clube XV que conhecemos até os dias de hoje! A agremiação nasceu com ideais carnavalescos, antes de se tornar um clube social, isso em 1869, ou seja, doze anos depois da pioneira.

A partir do surgimento do Clube XV, outros foliões se entusiasmaram a montar seus grupos próprios. Eram turmas que se aglutinavam sob a égide de um bairro, de uma colônia estrangeira, de um grupo profissional ou até mesmo dentro de empresas e entidades culturais. O mais curioso é que esses grupos surgiam com nomes muito criativos, alguns até demais. Os grupos foram surgindo ao longo de décadas e, durante 100 anos (!!!) os santistas foram criativos na montagem de dezenas de blocos, grupos de choro, grupos de salão e grupos musicais. Boa parte deles teve vida efêmera, durando pouco tempo. Teve grupo que só durou um único Carnaval, e até fora criado para isso, como o Centenário, de 1939, criado em homenagem aos primeiros 100 anos de Santos como cidade.

Veja a lista dos grupos que fizeram a história de boa parte do Carnaval Santista nos primeiros 100 anos de folia local. Desta lista não inserimos as escolas de samba, que começaram a engatinhar a partir dos anos 1930. Esta modalidade será assunto para outra postagem.

Sociedade Carnavalesca Santista (1857)
Sociedade Carnavalesca Clube XV (1869)
Grêmio Les Bavards (1870)
Parasitas da Luneta (1875)
Tenentes do Diabo (1875)
Democratas de 1880 (1880)
Typos de Arribação (1880)
Grupo dos Meteoros (1880)
Galopins Carnavalescos (1881)
Benquistos Zé Pereira (1883)
Grupo dos Borges (1886)
Música do Presente (1886)
Sociedade Influenza Carnavalesca (1891)
Caronas (1893)
Periquitos Carnavalescos (1893)
Influentes Carnavalescos (1893)
Grupo República “33” (1894)
Grupo dos Cartolas (1895)
Clube dos Fenianos (1895)
Clube dos Democráticos (1895)
Grupo dos Inocentes (1897)
Grupo dos Bubônicos (1900)
Grupo dos Refesteles (1900)
Grupo dos Prontos (1900)
Grupo dos Sujos (1900)
Grupo do Pince-Nez (1900)
Grupo dos Caiporas (1900)
Grupo dos Três (1900)
Grupo Horror ao Trabalho (1900)
Vilões Santistas (1901)
Grupo dos Crescendinos (1901)
Quisera Amar-te (1901)
Grupo dos Peixôticos (1901)
Pigmeu Santista (1902)
Sociedade Carnavalesca Vila Macuco (1902)
Boêmios (1903)
Tenentes do Diabo (outra) (1903)
Filhos do Inferno (1903)
Clube dos Argonautas (1904)
Dragões do Averno (1905)
Grupo dos Corretores de Café (1906)
Congresso dos Fenianos (1907)
Grupo dos Coveiros (1908)
Braz Cubas (1908)
Grupo Coió sem Sorte (1909)
Santos Dumont (1909)
Pega na Chaleira (1910)
Flor da Mocidade (1910)
Meia Lua (1911)
Clube Royal (1912)
Clube dos Políticos (1912)
Aguenta Firme na Cambuca (1913)
Grupo dos Caipiras (1914)
Interessantes do Campo Grande (1916)
Bloco dos Cariocas (1917)
Rio Branco (1917)
Grupo Vai ou Racha (1917)
Mamãe, Eu Quero Ovo (1919)
Grupo dos Teimosos (1919)
Grupo Sapeca Choro (1919)
Fecha a Rosca (1920)
Grupo À Toa (1920)
Grupo do Zuna (1920)
Azul e Branco (1920)
Grupo dos Amarelinhos (1920)
Grupo das Tesouras (1920)
Gato Preto (1921)
Sai Azar (1921)
Resedá (1921)
Por Baixo (1921)
La Vai Choro (1922)
Bambu (1922)
Filhos de Denver (1923) – Rancho
Grupo dos Cerejas (1923)
Lá vem Besteira (1923)
Baianinhas do Amor (1924)
Afirma Choro (1924)
Fila Bóia (1924)
Eu Sozinho (1925)
Baianinhas Teimosas (1925)
As Caprichosas (1925)
União e Capricho (1926) – Rancho
Tudo é Branco (1926)
Braço é Braço (1926)
Cruz de Malta (1927)
Comigo Não (1927)
Peru na Roda (1927)
Fila Serra (1927)
Flor do Oriente (1927)
Galego Tira Prosa (1927)
Grupo dos Coitadinhos (1927)
Em Cima da Hora (1928)
Espia S´istou na Esquina (1928)
Arrepiados (1928)
Sustenta a Nota (1928)
Originá é Jeito Nosso (1928)
Pnião (1928)
Adoradores da Mulata (1928)
Quem Ri de nós tem Inveja (1928)
Cravinas Santista (1928)
Boi Misterioso (1928)
Filarmônica Excêntrica (1928)
Flor do Abacate (1928)
Grupo da Pontinha (1928)
Ora, Vejam Só (1929)
Ó Rosas, Tu Stás a Rire? (1929)
Lenhadores (1929) – Rancho
Grupo dos Risonhos (1929)
Grupo dos Três (1929)
Trinca (1930)
Bloco das Misses (1930)
Vamos Deixar na Intimidade (1930)
Filhos da Viúva do Soldado Desconhecido (1931)
S´tou Nessa Marmita? (1931)
Morro de Fome, Mas não Trabalho (1931)
Quem Ri de Nós Vai Chorar (1931)
Rancho dos Boêmios (1931) – Rancho
É Jeito Nosso e Tira a Mão daí (1933)
Arrasta a Sandália ai Morena (1933) – Rancho
Estrela D´Alva (1933) – Rancho
Papai Noel (1934)
Nunca Fui Feliz (1934)
Aborrecidos (1934)
Aliados (1934)
King Kong (1934)
Tribo dos Zulus (1935)
A Severa (1936)
Bloco dos Romanos (1936)
Mensageiros do Fado (1936)
Aqui é que Tem (1936)
Marujos Santistas (1936)
Morcegos (1936)
Turunas Santistas (1936)
Belezas de Holywood (1936)
Batuque da Vila (1936)
Chavecadas Estudantil (1937)
Donzelas do Gonzaga (1937)
Bola Alvinegra (1937)
Sossega Leão (1938)
Garotas que Desacatam (1938)
Centenário (1939)
Calungas do Campo Grande (1940)
Babies do Jardim da Infância (1940)
Cadetes do Amor (1940)
Ali Babá e os 40 Ladrões (1940)
Estrela da Meia Noite (1942)
Caravana da Alegria (1945)
Bloco da Urca (1947)
Ases do Paquetá (1947)
Colegiais do Amor Rasgado (1947)
Agora Vai… (1947)
Havaianas do Nacional (1948)
Chineses do Mercado (1950)
Flores do Jabaquara (1954)
Lira do Marapé (1954)
Saca-Rolha (1956)
Turistas do Bairro Chinês (1956)
Bloco da Vila Mathias (1957)
Unidos do Sucecobo (1958)

Grupo Sapeca Choro, de 1931

Grupo Sapeca Choro, de 1931 (Clique na imagem para ampliar)

Bloco dos Risonhos, de 1933. Clique na imagem para ampliar.

Bloco dos Risonhos, de 1933. Clique na imagem para ampliar.

Bloco dos Romanos, em 1937. Clique na imagem para ampliar.

Bloco dos Romanos, em 1937. Clique na imagem para ampliar.

 

 

 

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