Blocos Carnavalescos fazem a festa no Desfile da Faixa de Areia

Santos possui sete quilômetros de praia, um verdadeiro cartão postal que emoldura lindamente uma das faces da Ilha de São Vicente. Local de puro lazer, as areias da praia já serviram de palco para atividades como a Cidade Junina, Shows de música de variados estilos, campeonatos de diversas práticas desportivas, e… desfiles de Carnaval!

É isso mesmo! A areia praiana já foi e ainda é um excelente salão à céu aberto para quem curte se divertir durante o período da folia de Momo. Um exemplo disso são os Carnavais Liberais, promovidos pelas entidades profissionais que reúnem engenheiros, advogados, médicos e dentistas (assunto que falaremos oportunamente). Em relação aos desfiles, esta é a história que pretendemos resumir a seguir.

A primeira ideia neste sentido foi colocada em prática em 1955. Sob a coordenação do Conselho Municipal de Turismo, Santos testemunhou o que se chamou de “I Desfile na Faixa de Areia”. A proposta era promover o desfile no domingo pela manhã, antecedendo a tradicional patuscada “Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?”, que acontecia na parte da tarde.

O “I Desfile na Faixa de Areia” valia classificação. Os blocos que se apresentavam na faixa de areia entre os canais 2 e 3, tinham que submeter-se ao julgamento de jurados estrategicamente dispostos no topo do Posto de Salvamento nº 3 (Gonzaga). Ali ficavam também as autoridades e a Corte Carnavalesca, dando aquela força aos “desfilantes”.

O desfile era destinado aos blocos carnavalescos, formados por componentes vestidos com fantasia de papel crepom ou seda. Na frente do bloco, o estandarte da agremiação, para identificação dos jurados. Os blocos vinham com muita vontade, trazendo à “avenida de areia” suas alas, baterias, cantores e até alegorias móveis que, por sinal, eram uma atração à parte, dada a dificuldade de trafegarem pela areia, muitas vezes fofa.

O “I Desfile na Faixa de Areia” teve como campeão, o bloco Estoril, seguido do Graussás e da Associação Atlética do Banco do Brasil. Na sequencia vieram o Flamengo, Cruzeiro e o Grêmio A Tribuna. Tiveram menção honrosa, os blocos do Centro dos Estudantes e do Atlântico.

Os desfiles na faixa de areia duraram dez anos, de 1955 a 1965. Em 1966, já não ocorreram mais, em razão da falta de interesse dos blocos da cidade.

Nos anos 1980, mais precisamente em 1986, durante o governo do prefeito Oswaldo Justo, o Carnaval de Areia foi revivido, incentivado pelo então secretário de turismo, Álvaro Bandarra, também conhecido como Lorde Chiang-Cai-Chec.

Como na versão anterior, era um concurso onde os blocos eram julgados por quesitos como fantasia, originalidade,  harmonia, evolução e disciplina. E também, como das outras vezes, lá estava a Corte Carnavalesca, com o sempre presente Rei Momo, Waldemar Esteves da Cunha.

Em 1986, o vencedor foi a Associação Desportiva Eletropaulo, seguido da Associação Atlética Banco do Brasil e da Associação Sabesp. Na sequencia, o Grêmio Prodesan e os Servidores Municipais de Cubatão.

Esta segunda versão dos carnavais de areis durou menos. Só aconteceu até 1988. Este ano contou com a presença da Casa de Cultura Afro-Brasileira, que comemorou o Centenário da Abolição da Escravatura no Brasil.

Bloco do Estoril, campeão do I Desfile na Faixa de Areia, em 1955. Clique na imagem para ver maior.

Bloco do Estoril, campeão do I Desfile na Faixa de Areia, em 1955. Clique na imagem para ver maior.

Bloco do Centro dos Estudantes, em 1955. Clique na imagem para ver maior.

Bloco do Centro dos Estudantes, em 1955. Clique na imagem para ver maior.

A Comissão Julgadora, a Corte Carnavalesca e as autoridades ficavam no alto do Posto de Salvamento 3, no Gonzaga, para assistir o desfile na praia. O Rei Momo Waldemar não deixava de ficar bem à vontade.

A Comissão Julgadora, a Corte Carnavalesca e as autoridades ficavam no alto do Posto de Salvamento 3, no Gonzaga, para assistir o desfile na praia. O Rei Momo Waldemar não deixava de ficar bem à vontade.

 

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