Corso, a folia sobre rodas

Foi no final do século XIX que surgiram os primeiros embriões do que são hoje os carros alegóricos das escolas de samba. Na verdade eram luxuosas carruagens (tipos faetonte, cabriole e landaus) enfeitadas com flores e passamanarias, além de ricas almofadas e colchas da Índia. Os animais que as puxavam era igualmente “enfeitados”. Só para se ter uma ideia do capricho que os foliões tinham com o desfile, os cascos dos cavalos eram pintados de cor prata ou dourado. As crinas era penteadas e, via de regra, era entrelaçadas. Os animais ainda recebiam adornos na cabeça, como penachos coloridos emplumados. Os arreios eram brilhantes e cobertos de adamascados e xareis. O resultado final era belíssimo e empolgava a todos, principalmente às crianças.

A este desfile deram o nome de “corso”. Por sua própria natureza, era uma brincadeira exclusiva das elites, que possuíam carros ou que podiam pagar seu aluguel nos dias de Carnaval.

Em Santos, os corsos foram um sucesso a partir do final do século XIX. Os primeiros desfiles tinham como percurso as principais ruas da cidade. O início, normalmente era pela atual Rua do Comércio (antiga Rua Santo Antonio), passava pela Rua XV de Novembro (Rua Direita) até a atual Praça Barão do Rio Branco (Largo do Carmo), onde retornava.

Foi em 1904, ou seja, há exatos 110 anos, que ocorreu o primeiro corso com um automóvel a motor. O calhambeque vinha todo enfeitado com flores e um garoto fantasiado de “bebê” ostentava o estandarte do Bloco Carnavalesco “Filhos do Inferno”. A partir daí, os veículos automotores passaram a substituir as carroças e carruagens.

No Carnaval de 1913, automóveis e carruagens se mesclavam nos corsos da Rua XV. A atratividade dos corsos era tanta, que alguns jornais começaram a instituir um concurso para premiar o carro mais bem enfeitado. No primeiro concurso do gênero, o vencedor foi o carro de Carlos Menezes. No entanto, parte da imprensa e da população reclamaram da decisão, reputando o carro da família Lovechio como sendo bem melhor e mais vistoso.

Em 1916, os corsos chegaram até a zona da orla, através do evento promovido pelo Recreio Miramar, contando com a participação de várias famílias influentes da cidade, como os Suplicy, Catunda, Stockler, Murray, Simonsen, Porchat de Assis, entre outras. Mais de 40 carros participaram da festa, vencida por Eduardo Verriot, que ganhou como prêmio uma vistosa peça de arte em bronze.

Nos anos subsequentes os corsos ganharam outras vias da cidade, na Vila Nova e no Gonzaga, este promovido pelo Hotel Parque Balneário.

A partir de 1921, os corsos passaram a ser unificados, sendo que havia o da orla, à tarde, passando pelo Gonzaga e Boqueirão, e o noturno, ocorrido no Centro, onde a iluminação pública era melhor.

A festa em carros era um dos pontos altos do Carnaval Santista até o final dos anos 1940. Com a fabricação de carros fechados, em detrimento dos “cabriolet”, no Brasil, a festa foi decaindo.

Nos anos 1950 e 1960, os corsos eram um arremedo do que foram no passado. Havia muita festa, mas com menos gente e interesse. Uma pena, pois o que não faltava era criatividade nos carros. A compensação veio com a introdução de carros alegóricos cada vez maiores nos blocos e, subsequentemente, nas escolas de samba. Hoje esses carros são um ponto alto dos desfiles.

Carro do Bloco Agora Vai, de 1953, representava os corsos do final do século XIX

Carro do Bloco Agora Vai, de 1953, representava os corsos do final do século XIX

Corso no Centro de Santos, na década de 1930.

Corso no Centro de Santos, na década de 1930.

Mais um grupo carnavalesco ao lado de um carro para corso.

Mais um grupo carnavalesco ao lado de um carro para corso.

Corso na orla nos anos 1960, já na sua fase final.

Corso na orla nos anos 1960, já na sua fase final.

Corso na orla, anos 1960.

Corso na orla, anos 1960.

Corso na orla, anos 1960.

Corso na orla, anos 1960.

 

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