Jornalistas e cronistas do Carnaval Santista

Para encerrar esta série sobre a Memória do Carnaval, este blog reverencia o trabalho sensacional de dois grandes memorialistas santistas: Pedro Bandeira Júnior e José Muniz Junior. Foi debruçado sobre o rico trabalho destes dois colegas, o primeiro já falecido e o segundo, ainda vivíssimo e ativo, que tive condições de trazer à internet algumas peculiaridades sobre a festa momística.

Durante vinte dias tentei extrair algumas peculiaridades da história do Carnaval de Santos para publicar no Memória Santista. Ao total, foram trezes postagens, incluindo esta, que buscaram levar aos leitores alguns traços interessantes da folia de Momo, com imagens originais. Não foi possível abordar tudo. Optamos, por exemplo, não falar das escolas de samba, para não ficar na superficialidade. Deixaremos para o ano que vem.

Para encerrar esta série, iniciada em 13 de fevereiro, data oficial do Carnaval Santista, vamos falar daqueles que utilizaram a imprensa como meio para eternizar a história do Carnaval de Santos. Nominar os homens e mulheres que dedicaram-se com afinco à caneta e teclados para narrar com lucidez e irreverência as histórias de blocos, bandas, escolas, sambistas, corsos, bailes, corte carnavalesca e tantos outros assuntos ligados ao tema Carnaval.

Os primeiros cronistas carnavalescos da imprensa santista surgiram praticamente junto com o próprio Carnaval. Ainda no século XIX, alguns jornalistas passaram a conquistar uma especialidade no assunto, mas sem tanto alarde. Segundo o historiador e jornalista José Muniz Júnior, a coisa começou a ficar mais séria (e brincalhona) a partir da década de 1930, quando jornais do vulto do “Jornal da Noite”, “Gazeta do Povo”, “A Tribuna” e “Diário”, passaram a contar com cronistas especializados no Carnaval. O peculiar é que estes pioneiros iniciaram uma moda que vingou e passou de geração para geração: os apelidos, ou pseudônimos, que davam um ar mais irreverente às próprias crônicas.

Havia cronista de carnaval que não se revelava, para dar mais graça à curiosidade dos leitores. Entre os mais antigos cronistas santistas do Carnaval, estão Roberto Maria de Azevedo Marques, Euclides de Andrade (Máscara Azul), Décio Vilares de Andrade (Vilão da Esquina), Esmeraldo Tarquínio Campos (Lorde Veneno), Oswaldo Du Paim (Lorde Reco-Reco), Dário Félix (Lorde Pinga Fogo), Chicon Sá (Zé Tramela), Cyro Lacerda, Ramiro Calheiros (Chico Cipriano), Hamleto Rosato (Lorde Perereca) e Alfredo Miguel da Silva (Lorde Pavão).

Nas décadas de 1950 e 1960, outros nomes iam surgindo e as crônicas eram lidas pelo povo com intensa curiosidade. Constam desta lista Salvador Nastari Neto (Frá Diávolo), Antonio Guenaga, Aldredo de Castro (Lorde Lagartixa), Olao Rodrigues (Lorde Diavolino), Antonio Nunes (Lorde Lobisomem), Oberdan Faconti (Lorde Comendador), Jonas Priante (Lorde Espanador da Lua), Esmeraldo Tarquínio Campos Filho (Lorde Budy), Benedito Merlin, José Cleto (Zé da Pinta), João Gonçalves Sobrinho (Lorde Peruca) e Maurice Legeard (Lorde Fifi).

Foi neste período que surgiu o grande cronista do Carnaval Pedro Bandeira Júnior (Lorde Ras..padeira), autor das colunas “Confete…Pedacinho Colorido da Saudade”, “Coluna do Chanceler” e “Bossa Nova”. Bandeira, cujo trabalho foi o sustentáculo destas postagens, fez um trabalho épico pela historia do Carnaval Santista.

Nos anos 1960, mais uma enxurrada de cronistas carnavalescos, dotavam os foliões de notícias e curiosidades da folia. São desta época, nomes como Neusa Santana (Lady Neusoca), Sergio Salles Galvão Filho (Lorde Lombriga), José Lima (Lorde Risadinha), Oswaldo Martins Filho (Lorde Foquinha), Aurelindo Telles Juarez Bahia, Lauro Tubino (Lorde Gaúcho), Nassim Mahamude (Lorde Turco), Porcília Paes Nogueira (Lady Pombinha), Carlos Conde (Lorde Nobre), Alberto Witkowski (Lorde Expressinho) e Jorge Guerreiro (Lorde Lusitano).

Neste período surgiu outro nome importante que balizou esta pesquisa do blog. José Muniz Júnior (Lorde Batucada), cronista do jornal “O Diário” e mais tarde, do “Cidade de Santos”.

Além dos cronistas da área jornalística, havia também os que eram da cena artística da cidade, como Rosinha Mastrângelo (Lady Pierrot Azul), que também escreviam em jornais, nas colunas de cultura, e os colunistas de outras áreas, como esportes (Lidia Federicci) e social. Soma-se à eles, Marlene Rinaldo (Lady Champanhota), Oriete Tavolaro, Edna Peressim (Lady Chrisanteme), Tereza Wolf, Kiko Penteado, Emmanuel Leon, João Carlos de Moraes Camargo, Fernando Allende, Luiz Alca Sant´Anna, Denise Covas e Clara Monforte.

Nos anos 1970, ocorreu uma leva importante. Vieram Izaltino de Oliveira Fernandes (Lorde Tininho), José Alberto de Moraes Alves Blandy (Lorde Cachimbo), João Moreira Sampaio Neto (Lorde Manda Brasa), Carlos Manente, Di Paula (Lorde Sargento), Vasco Oscar Nunes (Lorde Navegante), Reinaldo Muniz de Sousa (Lorde Napão), Irineu Camargo (Lorde Pavê) e José Eduardo Barbosa (Lorde Costeleta).

Nos anos 1980, os cronistas especializados na imprensa ficaram mais raros. Tanto jornais, como emissoras de rádio transmitiam o Carnaval, mas sem colunas específicas. Assim, alguns comunicadores, mesmo não sendo especialistas na folia, por contribuir para a difusão do Carnaval, receberam títulos ou menções de agradecimento da comunidade. São os casos de Carlos Emílio Eugler Winter (Lorde Parafuso), Renil Perrone (Lorde Chambe), Nivaldo Conrado (Lorde Madrugada), Mitsuo Terezawa (Lorde Italiano).

Na área radiofônica, foram esses os reverenciados pelo seu trabalho na difusão do Carnaval: Armando Diogo, Correia Júnior (Lorde Velha Guarda), Arnaldo Gonçalves (Lorde Comandante), Álvaro Castro, Armando Rosas, Norberto Pereira (Lorde Vitamina), Olavo Bueno (Lorde Vitrola), Paulo César (Lorde Bacalhau), José Gomes (Lorde Judio Loiro), Arnaldo Dias (Lorde Guaraná), Nelson Cassetari (Lorde KCT), Nelson Machado (Lorde Caçador), Leonel Pereira de Carvalho (Lorde Cometa), Walter Dias (Lorde Zulu), Vitor Moran (Lorde Peixe Agulha), Orlando José, Armando Gomes, Antonio Sammarco, J. Lacerda, Oscar Pinheiro Coelho (Lorde Tamborim), Anibal Gomes Ornelas (Lorde Bolacha), Leonel Eduardo Pereira (Lorde Boqueirão), Azevedo Júnior (Lorde Buda), Wilson Brasil (Lorde Pintado), Leonardo Augusto, José Luiz Carvalho Filho (Lorde Fubeca), Aureliano de Paula (Lorde Barriga), Mauro Ferreira Lopes (Lorde Chá-chá-chá), Belmiro Cândido Júnior (Lorde Cachoeira), Oswaldo Figueiredo (Lorde Ambulância), Tânia Cristina (Lady Samba), Hudson Marcondes, José Alves de Moura, Jorge dos Santos, Lina Farias, Décio Couto Clemente (Lorde Carrapato), Luis Cesar (Lorde Pinguim), Antonio Lombardi Júnior (Toninho Madrugada) e Jorge Fernandes (Lorde Comunicador).

Alguns fotógrafos, pela sua contribuição ao Carnaval, também foram reverenciados pela comunidade da folia santista. Nomes como Pedro Peressim (Lorde Barbado), Boris Kaufmann, Justo Peres, Rafael Herrera, José Herrera, Paco Herrera, Alfredo Vasquez (Lorde Tricolor), Anésio Borges (Lorde Espoleta), Arnaldo Giaxia (Lorde Bauru), Silvio Guimarães (Lorde Carioca), Candido Gonzalez, Evaristo de Carvalho, Francisco Rubi, Itamar Felício de Miranda (Lorde Tucano) e Salvador.

Nos tempos modernos, outros nomes merecem destaque, como evidenciou José Muniz Júnior em seu último trabalho sobre a história do Carnaval. Nomes como Eduardo Silva, Antonio Fidalgo, Noemi Macedo, Edison Carpentieri, Jairo Sergio de Abreu Campos e Luiz José Longo. Figuras que se somam a uma lista de apaixonados pela folia, pela história e pela luz da memória do Carnaval.

Pedro Bandeira Júnior, o primeiro e único chanceler oficial do Carnaval Santista. Também foi um dos maiores cronistas e memorialistas da folia de momo por aqui.

Pedro Bandeira Júnior, o primeiro e único chanceler oficial do Carnaval Santista. Também foi um dos maiores cronistas e memorialistas da folia de momo por aqui.

Corte Carnavalesca de 1963, no Baile Oficial, realizado no Sirio Libanês, ao lado do jornalista Olao Rodrigues (Lorde Diavolino). Bandeira Júnior é o chanceler (à direita).

Corte Carnavalesca de 1963, no Baile Oficial, realizado no Sirio Libanês, ao lado do jornalista Olao Rodrigues (Lorde Diavolino), também um dos grandes cronistas do Carnaval Santista ao lado de Bandeira Júnior (à direita).

Coluna Bossa Nova

Coluna Bossa Nova, de Pedro Bandeira Júnior, que assinava como Ras Padeira, da Associação dos Cronistas Carnavalescos de Santos (ACCS).

Coluna "Confete, pedacinho colorido de Saudade", publicado nos anos 1960.

Coluna “Confete, pedacinho colorido de Saudade”, publicado nos anos 1960.

Pedro Bandeira também publicou a "Coluna do Chanceler", uma espécie de diário do cargo que passou a ocupar a partir de 1960.

Pedro Bandeira também publicou a “Coluna do Chanceler”, uma espécie de diário do cargo que passou a ocupar a partir de 1960.

 

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