Santos comemora os 100 anos de elevação à categoria de cidade com grande exposição

Portão principal de entrada da Exposição do Centenário, pela avenida Conselheiro Nébias, altura da Mato Grosso.

Santos, sábado, 4 de fevereiro de 1939. Eram 17 horas, quando pelo menos duas mil pessoas aguardavam ansiosamente o corte da fita simbólica pelas mãos firmes do governador do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros, dando por inaugurada, oficialmente, a Exposição do Centenário, até então tido como o maior evento ao ar livre já realizado em Santos, elaborado para marcar o aniversário de cem anos da elevação santista à condição de cidade.

O chefe do governo paulista, que ali também representava o então presidente da República, Getúlio Vargas, cumpriu à risca o papel protocolar ao lado da esposa, dona Leonor de Barros e dos anfitriões, o prefeito Cyro de Athayde Carneiro e a esposa, dona Francisca, sendo bastante aplaudido pela assistência popular.

Ao fundo o Pavilhão da Prefeitura de Santos

A Exposição

A Exposição do Centenário ocupou uma área superior a 21 mil metros quadrados, cedida gentilmente pela Companhia City (maior concessionária de serviços públicos de Santos, responsável pela distribuição de água, luz e gás, além da administração do transporte urbano em bondes), em amplo terreno que ia da avenida Conselheiro Nébias até a Washington Luís, na quadra do Ginásio do Estado (atual Colégio Canadá), cujo prédio também foi utilizado pelo evento.

No local foram erguidos enormes pavilhões, ocupados pela Prefeitura Municipal,  Secretaria de Estado da Industria e Comércio, Cia City, São Paulo Railway, Industrias Reunidas Francisco Matarazzo, Departamento Nacional do Café, Cia Docas, Cia Antarctica Paulista, Instituto do Café, Instituto Nacional do Mate, Touring Clube do Brasil (um dos patrocinadores e organizadores do evento, ao lado da Sociedade Pró-Cidade de Santos), Estrada de Ferro Sorocabana,  além do Museu de Cera e Cassino, que proporcionaram momentos de lazer aos visitantes.

No edifício do Ginásio do Estado (Colégio Canadá), instalaram-se ainda algumas outras entidades, como o Instituto Dona Escholástica Rosa, os jornais A Tribuna e O Estado de São Paulo, o Tiro de Guerra nº 11, o Clube de Regatas Saldanha da Gama e o Clube de Regatas Santista. O prédio, inaugurado dois anos antes, também abrigou uma interessante exposição de pintura, intitulada “Benedito Calixto”, em cuja galeria se exibiram magníficos painéis que constituíram, pode-se dizer, as obras primas de grandes artistas da cidade.

Logomarca da exposição, extraída de oficio que integra processo administrativo 13.280/1938, da Prefeitura de Santos.

Elogios e críticas

A Exposição do Centenário foi alvo de elogios e críticas por parte de autoridades e da própria população. As queixas se davam pelo adiamento da inauguração, prevista para a data de aniversário da cidade, 26 de janeiro. Em razão de alguns dias chuvosos, a montagem dos estandes, pavilhões e do Parque de Diversões, sofreu diversos atrasos.

O representante oficial da exposição, Eduardo de Lamare, reputou-a longe de ser um “hino à grandeza da povoação de Braz Cubas, mas uma obra modesta, resultado do esforço de todos aqueles que aqui trabalham que, guiados pelo operoso e inteligente chefe do executivo local, procuraram dar a sua ajuda, afim de que Santos festejasse, com o brilho a que tem direito, o seu primeiro centenário”.

Retratos dos líderes executivos

Uma curiosidade da grande Exposição do Centenário de Santos foram os tamanhos dos painéis que retratavam os chefes da nação, Getúlio Vargas; do Estado de São Paulo, Adhemar de Barros e da cidade santista, dr. Cyro Carneiro. Instalados no Pavilhão da Prefeitura, as imagens, de grandes proporções, lembravam a velha tradição da Rússia, de ostentar seus líderes em enormes fotografias oficiais.

Grill Room “Bavária”

Uma das estrelas do evento foi o “Grill Room Bavária”, cujas instalações denotavam fino senso artístico e onde se realizou interessantes programas com artistas especialmente contratados, como um grupo tirolês, que se apresentava a caráter, em números de danças típicas. Individualmente, o destaque foi a conhecida atriz Ítala Ferreira, que se apresentou em números musicais. Todas as noites aconteciam espetáculos musicados, com números de canções típicas brasileiras, a cargo de um conjunto de “broadcasting” nacional, e argentinas, com grupos regionais de Buenos Aires.

Os pavilhões da City, do Instituto Nacional do Café e da São Paulo Railway.

Museu de Cera

Outra grande atração da feira foi o Museu de Cera, organizado pelo eminente médico dr. Alberto Baldissara, modelador do Instituto Médico Legal e da Faculdade de Medicina da Universidade do Rio de Janeiro. O pavilhão que abrigou o equipamento reunia 250 figuras anatômicas feitas de cera e retratavam cenas de pessoas com enfermidades graves e deformidades (ceroplastia científica). A mostra era dividida por seções, como puericultura, obstetrícia, ginecologia e dermatologia. Havia também cenas de crimes e suicídios célebres acontecidos na capital federal (o Rio). O maior destaque, que despertou enorme curiosidade entre os visitantes, eram as réplicas, em cera, das cabeças do famoso cangaceiro Lampeão e sua parceira, Maria Bonita. O Museu de Cera vinha com a fama de ter sido uma das grandes atrações da Feira Internacional do Rio, tendo recepcionado mais de 85 mil pessoas. Era considerado o único equipamento do tipo na América do Sul.

Conhecimento e entretenimento

O que não faltou à exposição foram aspectos de difusão de informações sobre a cidade, produtos e entretenimento. No pavilhão do Departamento Nacional do Café (DNC), foram realizadas demonstrações práticas dos processos de plantio e tratamento do produto, além da distribuição gratuita de xícaras de café aos visitantes; o da Estrada de Ferro São Paulo Railway, podia-se conhecer o funcionamento do sistema de planos inclinados que ligavam Santos à capital, por meio de uma maquete bem elaborada.

Dentro do Ginásio do Estado (Colégio Canadá), foram disponibilizadas salas para exibição de obras selecionadas da pintura nacional, além de trabalhos feitos pelas alunas da Escola de Artes e Ofício Escholástica Rosa. Também havia “stands” da imprensa, como um exclusivo do jornal A Tribuna.

Parte da área de diversões da exposição, que atraiu milhares de santistas e visitantes.

Finalmente, nos fundos da área, o Cassino da Exposição, com variedades de jogos, o “rinque” de patinação, onde patinadores exímios faziam exibições de sua arte e o parque, para as crianças, situado na última quadra, com entrada pelos fundos, na avenida Washington Luís, onde havia muita novidade como, por exemplo, a “Viagem à Lua”, pela primeira vez conhecida em Santos, a Rumba, a Roda Gigante, o Carrossel, Balanços Venezianos, Autopista para adultos e Autopista infantil, Barraca de Tiro ao Alvo, e outras cheias dos mais deliciosos atrativos.

Na mesma área foi armado o tablado para bailes ao ar livre e construído o estádio de box. Ao lado, uma barraca, onde eram feitas as chamadas experiências cientificas do professor Wilson.

O certame, que só se encerrou em maio foi, realmente, grandioso. Nem poderia, com efeito, ser outra tal realidade, pois ele foi projetado para que se apresentasse, quando construído, a significação de comemoração máxima da efeméride de 26 de janeiro de 1939, que marcou o primeiro centenário da elevação de Santos à classe de cidade.

 

A seguir, veja matéria, na íntegra, publicada em A Tribuna, em 5 de fevereiro de 1939

 

SOLENEMENTE INAUGURADA A EXPOSIÇÃO DO CENTENÁRIO

A cerimônia foi presidida pelo dr. Adhemar de Barros, interventor federal e representante do presidente da República – Saudou o chefe do governo paulista o dr. Eduardo de Lamare – “Cock-Tail” no Grill Room “Bavária”.

Em ato que se revestiu de toda solenidade, realizou-se ontem, às 17 horas, a inauguração da Exposição Comemorativa da Elevação de Santos à categoria de Cidade, promovida pela Prefeitura Municipal, sob o patrocínio do Touring Clube do Brasil e da Sociedade Pró-Cidade de Santos.

O importante certame, na imponência de sua organização, oferece, aos visitantes um conjunto esplêndido de nossas realizações nos terrenos industrial, comercial e artístico.

Vários pavilhões, oferecendo, todos eles, elegantes linhas de construção, se distribuem pelo extenso parque, destacando-se o da Prefeitura, Industria e Comércio, Cia City, São Paulo Railway, Industria Reunidas Francisco Matarazzo, Departamento Nacional do Café, Instituto do Café, Instituto Nacional do Mate, Touring Clube e Museu de Cera.

O jornal A Tribuna também participou da feira.

No edifício do Ginásio do Estado, que abrange o recinto do certame, instalaram-se também, artistas “stands” predominando o do Instituto Dona Escholástica Rosa, A Tribuna, O Estado de São Paulo, Tiro de Guerra nº 11, Clube de Regatas Saldanha da Gama, Clube de Regatas Santista e outros, achando-se também instaladas a Exposição de Pintura “Benedito Calixto”, em cuja galeria se exibem magníficos painéis que constituem, pode-se dizer, as obras primas dos nossos grandes artistas.

O ATO INAUGURAL

Às 17 horas, precisamente, verificou-se o ato inaugural da grande obra. O dr. Adhemar de Barros, que viajou em carro oficial, em companhia de sua Exma. Esposa, dona Leonor de Barros; dr. Cyro Carneiro e sua Exma. Esposa, Dona Francisca Carneiro, foram recebidos pelos membros da Comissão de Honra da Exposição e pelo Comissário Geral, sr. Artacho Jurado, tocando nesse momento as bandas do Corpo de Bombeiros e também do Instituto Dona Escholástica Rosa.

No patamar de entrada, o chefe do governo paulista cortou a fita de entrada, ato esse que marcou a inauguração do certame e foi assinalado por demorada salva de palmas. Nesse mesmo instante, foi hasteado o pavilhão nacional, armado em frente ao pavilhão da municipalidade, ouvindo-se o hino brasileiro.

O PAVILHÃO DA PREFEITURA

O dr. Adhemar de Barros e as demais autoridades foram conduzidos para o pavilhão da Prefeitura. O chefe do governo paulista e o prefeito municipal visitaram rapidamente as dependências do majestoso prédio onde se exibiam uma fotografia da cidade e do porto, em grandes proporções, e gráficos sobre o desenvolvimento do município, planos urbanísticos, etc.

Depois, o dr. Adhemar de Barros assinou a ata comemorativa da inauguração da grande feira, apontando também a sua assinatura o dr. Cyro de Athayde Carneiro e as demais autoridades que ali se reuniram.

DISCURSO DO DR. EDUARDO DE LAMARE

O dr. Eduardo de Lamare, comandante geral do Exército, proferiu o seguinte discurso:

Ilmos Srs.

Como comissário da Exposição do Primeiro Centenário da Elevação de Santos à Categoria de Cidade, tenho a honra de vos saudar, sr. interventor e demais autoridades.

O interventor no Estado de São Paulo, dr. Adhemar de Barros (ao centro, de terno escuro), durante a inauguração a exposição.

Dentro em breve, ireis hastear a gloriosa bandeira nacional, inaugurando a exposição. Esta, por motivos independentes de nossa vontade não está à altura do desenvolvimento gigantesco e do progresso desta cidade, o principal porto do país. “A porta do Brasil”, como tão pitorescamente a denominou o ilustre historiador Pedro Calmon, em recente conferência realizada em sessão magna no Instituto Histórico.

O pequenino burgo dantanho é hoje o segundo entreposto comercial da América do Sul. Nesta exposição, vereis representadas todas as atividades da nossa cidade.

O comércio e a indústria local e do Estado, numa perfeita compreensão da importância do gesto do Sr. Prefeito municipal, em instituir a mesma, concorreram na medida de suas possibilidades para abrilhanta-la.

Neste local, vereis representadas em pavilhões especiais a Prefeitura Municipal, a City Improvments Co, concessionária dos serviços públicos da cidade, o Instituto do Café, a Companhia Antarctica Paulista, o Instituto do Mate, a Companhia Brahma e tantas outras que atentam o alto índice do progresso local.

Todas essas, atenderam ao apelo da cidade, que quis festejar condignamente seu primeiro centenário.  Santos não desmereceu a honra que lhe foi dada, de ter sido a primeira vila elevada à cidade. A Terra dos Andradas correspondeu plenamente à confiança que nela depositava o primeiro dos Antônio Carlos.

Com a instalação desta exposição, quis a Prefeitura local patentear às demais cidades do estado e da União que o seu progresso não está somente na grandeza do seu porto.  Quis demonstrar que também outras atividades encontram guarida carinhosa em seu seio, quis provar que Santos não é só um porto de mar.  É, também, uma cidade agrícola e industrial. Pois aqui achareis expostos todos os ramos da atividade.  Nos gráficos existentes no Pavilhão da Prefeitura podereis verificar que a renda municipal atinge a quase 20.000 contos de reis, superior à receita de muitos estados da União. Como vedes, Santos triunfou: os santistas e os que aqui habitam podem e devem ufanar-se de sua terra.

Bastante razão tinha o grande e saudoso santista Martins Fontes, quando dizia: “Para celebrar as glórias da cidade de Santos, eu desejava não escrever um discurso, nem redigir uma conferência, mas entoar um hino heroico, uma sonata patética, fotofonia apaixonada, canto coral, poema orquestral, epitalâmico, himeneu, poesia religiosa, consagradora dos meus amores com minha terra”.

Percebo, meus senhores, vibrar em mim este entusiasmo do vate pela nossa terra. Sinto, porém, que esta exposição que ides inaugurar, não seja um hino à grandeza da povoação de Braz Cubas. Mas é o resultado do seu esforço a obra modesta de todos aqueles que aqui trabalham que, guiados pelo operoso e inteligente chefe do executivo local, procuraram dar a sua ajuda, afim de que Santos festejasse, com o brilho a que tem direito, o seu primeiro centenário.

Pavilhões da Estrada de Ferro Sorocabana e do Departamento Nacional do Café

HOMENAGEM AO CHEFE DA NAÇÃO, AO INTERVENTOR FEDERAL E AO PREFEITO MUNICIPAL

Encerrada a cerimônia no Pavilhão da Prefeitura, o chefe do governo paulista e quantos o acompanhavam dirigiram-se para outra dependência da feira, onde se verificou a inauguração dos retratos, em grandes proporções, dos senhores Getúlio Vargas, Adhemar de Barros e Cyro de Athayde Carneiro.

Este ato, que constituiu significativa homenagem dos organizadores da exposição aos três ilustres brasileiros, foi assistido por todas as autoridades civis e militares e grande número de pessoas gradas, tocando, no momento, a banda do Instituto Dona Escholástica Rosa.

O ato de descerramento das cortinas que encobriam os retratos foi assinalado por entusiástica salva de palmas.

“COCK-TAIL” NO GRILL ROOM “BAVÁRIA”

Depois de visitar o pavilhão da Cia. City, instalado com apurado gosto, Adhemar de Barros e Cyro Carneiro e exmas. esposas dirigiram-se para o Grill Room “Bavária”, ontem lhes foi oferecido um coquetel, bem como as demais autoridades e pessoas gradas.

O “Bavária”, cujas instalações denotam fino senso artístico, realizou interessante programa em homenagem aos ilustres visitantes, fazendo-se aplaudir um conjunto de artistas especialmente contratados, além de um grupo tirolês, que se apresentou a caráter, exibindo-se em números de danças típicas.

Ao microfone, atuou a conhecida atriz Ítala Ferreira.

VISITA AO PAVILHÃO DO INSTITUTO NACIONAL DO MATE

Do “Bavária”, o dr.  Adhemar de Barros visitou, inaugurando-o, o “stand” do Instituto Nacional do Mate, cuja direção foi confiada ao Dr. Francisco Alegria. Ofereceram-se ao ilustre visitante e quantos o acompanhavam, provas de gustação da preciosa erva.

Visitou, por último, o chefe do governo paulista, os vários “stands” que se distribuem pelo edifício do Ginásio do Estado.

Ao se retirar da exposição, renovaram-se ao chefe do governo paulista, à sua exma. Esposa e ao dr. Cyro Carneiro, prefeito municipal, as manifestações de simpatia do povo.

O Pavilhão Indústria e Comércio e o Pórtico “Cinzano”

DETALHES SOBRE O CONJUNTO DA GRANDE EXPOSIÇÃO

Oferecemos, em seguida, detalhes completos sobre o conjunto das instalações da grande feira ontem inaugurada:

O Pavilhão da prefeitura, um dos mais suntuosos, colada à parede do fundo, depara-se uma primorosa fotografia da cidade de Santos, em proporções enormes. À direita e à esquerda, dispostos em forma triangular, os retratos, à óleo, de Braz Cubas, fundador do Santos e do Padre Bartolomeu de Gusmão, inventor do aeróstato.

Em outros compartimentos estão expostos quadros demonstrativos do movimento escolar da cidade, ilustrados com estatística sobre o número de matrículas no período letivo do ano próximo passado, e ainda vários projetos de melhoramentos urbanos, como remodelação de praças e a construção do novo mercado.

Ao longo dos primeiros corredores que cortam em diferentes sentidos todo o recinto da Exposição, um renque de mastros, plantados em direção ao Pavilhão da Prefeitura, sustenta bandeiras de várias nacionalidades.  Na torre do pórtico de entrada, bem como no frontispício do pavilhão da prefeitura, tremula o pendão brasileiro.

À esquerda de quem desce para o centro do recinto, projetam-se em molduras medindo cerca de cinco metros, os retratos dos drs. Getúlio Vargas, presidente da República; Adhemar de Barros, interventor federal em São Paulo, e Cyro Carneiro, prefeito de Santos. Com a exibição de seus retratos, pretendeu-se prestar uma justa homenagem aos ilustres governantes do país, do Estado e da cidade.

A alguns passos desse local demora o pavilhão do Touring Clube do Brasil, ontem se mantém uma seção de informações acerca de tudo quanto se relacione com certame e a cidade de Santos.  Aí também será feita a venda de selos.

Anúncio da Exposição na Revista Flamma de Janeiro de 1939, quando não se previa ainda o atraso da entrega e o prazo de término, que acabou prorrogado.

Nas segunda e terceira quadras veem-se os pavilhões da Estrada de Ferro Sorocabana, ainda não totalmente concluído, o do Departamento Nacional do Café, em que fazem demonstrações práticas dos processos de plantio e tratamento da rubiácea, e distribuição gratuita de xícaras de café aos visitantes; o do Instituto de Café do Estado de São Paulo, e o da Estrada de Ferro São Paulo Railway, onde se poderá conhecer a maquete dos planos inclinados que ligam Santos à capital.

Ainda na segunda quadra, localizam-se os pavilhões da Companhia City, de aspecto rico e imponente perto de cuja entrada se exibe uma linda fonte luminosa; a das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, das maquinas “Record” e “Dziabas”. Em seguida, os majestosos pavilhões “Braz Cubas” e “José Bonifácio”, destinados a expositores, comerciantes, industriais, etc. Entre os dois, no centro da quadra, uma grande garrafa de “Cinzano”, protegida por um arco iluminado.

Ao lado do Pavilhão “Braz Cubas” encontra-se o palco para concertos ao ar livre, e nos fundos do pavilhão “José Bonifácio”, o edifício do Ginásio do Estado, uma das grandes dependências da exposição, com várias salas para exibição de obras selecionadas da pintura nacional, trabalho das alunas da Escola de Artes e Ofício Escholastica Rosa, “stands” da imprensa, pavilhão da Companhia Docas de Santos e outros compartimentos ocupados por instituições diversas e expositores. Há ainda no prédio do ginásio um teatro, onde serão representadas peças de cunho sobretudo educativo.

Próximo deste edifício situa-se o pavilhão do Instituto Nacional do Mate, onde serão distribuídas amostras da preciosa erva e oferecidas provas de degustação.

Prosseguindo, vemos em outra quadra o Museu de Cera, arranjado sob a direção do dr. Alberto Baldissara, com numerosas figuras anatômicas focalizando os efeitos deformativos de uma série enorme de enfermidades; o “Bar Bavária”, onde todas as noites haverá espetáculos musicados, com números de canções típicas brasileiras e argentinas, aquelas a cargo de um conjunto de “broadcasting” nacional e estas, de regionais de Buenos Aires, especialmente contratados.

Nos fundos, o Cassino da Exposição, com variedade; o “rink” de patinação, onde patinadores exímios farão exibições de sua arte.

Os maquinismos para projeção de filmes ao ar livre acham-se instalados entre a terceira e a quarta quadra, estando ainda naquela o pavilhão “Caravellas”, da Rádio Técnica Philco, os das “Águas Lindóia” e as instalações de “Rádio Stúdio”.

Aí, em síntese, os principais pavilhões da exposição, sem contar o grande número de barracas que se espalham por todo canto, e onde se vendem bebidas, quinquilharias, novidades e se praticam diversos jogos.

O Museu de Cera do dr. Alberto Baldissara era uma das grandes atrações da feira.

Na última quadra, com entrada pelos fundos, na avenida Washington Luis, delimita-se o espaço ocupado pelo Parque de Diversões, um mundo maravilhoso de divertimentos e alegria. Aí apresenta-se muita novidade como, por exemplo, a “Viagem à Lua”, pela primeira vez conhecida em Santos, a Rumba, etc. Aparecem depois outros divertimentos, como a Roda Gigante, o Dangler, o Carrossel, Balanços Venezianos, Auto-Pista para adultos e Auto-Pista infantil, trenzinho Liliputiano, “Expresso de Prata”, Chicote, Marrequinhos, Barraca de Tiro ao Alvo, Barraca de Habilidades, etc, todos cheios dos mais deliciosos atrativos.

Na mesma área foi armado o tablado para bailes ao ar livre e construído o estádio de box, onde ontem se realizou a primeira reunião. Ao lado, uma barraca, onde serão feitas as chamadas experiências cientificas do professor Wilson.

Eis, em rápidas linhas, descritas a Grande Exposição do Centenário de Santos.

O certame é, realmente, grandioso. Nem poderia, com efeito, ser outra tal realidade, pois ele foi projetado para que se apresentasse, quando construído, a significação de comemoração máxima da efeméride de 26 de janeiro de 1939, que marca o primeiro centenário da elevação de Santos à classe de cidade.

Anúncio da Exposição do Centenário na Revista Flamma, edição de fevereiro de 1939.

A Grande Exposição, promovida pela Prefeitura e patrocinada pelo Touring Clube do Brasil e Sociedade Pró-Cidade de Santos, ficará, assim, na história da cidade, como um marco de ouro a lembrar a pujante capacidade realizadora do povo santista e os primores de sua civilização.

PESSOAS PRESENTES

Durante a cerimonia de inauguração da grande feira, notamos a presença, entre outras, das seguintes autoridades e pessoas gradas: srs. capitão do mar e guerra Sylvio de Noronha, capitão dos portos; capitão de corveta Antônio de Azevedo Lima, comandante da Base Aérea de Aviação Naval; dr. Pedro Alcanta Carvalho Oliveira, delegado regional de polícia; monsenhor Luiz Gonzaga Rizzo, representando d. Paulo de Tarso Campos, bispo diocesano; Francisco Paino, diretor administrativo da Prefeitura; dr. Euclides de Campos, diretor do Fórum; dr. João da Silva Almeida, inspetor da Alfândega; Henrique Soler, guarda-mor da Alfândega e sua exma. Esposa; dr. Mário Gracho, diretor do Centro de Saúde; major Alípio Ferraz, comandante do Corpo de Bombeiros; capitão Antônio Arruda, comandante do destacamento local do 6º B.C., tenente Clodomiro Sant’Anna, dr. F.M. Rodrigues Alves e Antônio Azzi, gerente e tesoureiro, respectivamente, da Agência do Departamento Nacional do Café; dr. Francisco Dias Batista, administrador da Recebedoria de Rendas; João Pacheco Fernandes, gerente do Banco do Brasil; dr. Octávio Brito Alvarenga, chefe da polícia técnica; Rodolpho Mikulasch, prefeito municipal de São Vicente; dr. Antônio Lolito Salvia, delegado de polícia de São Vicente; major Júlio Cesar de Toledo Murat, inspetor da polícia marítima, dr. H.T.W. Pilbeam, gerente da Cia. City; capitão Abelardo Marcondes dos Santos, comendador Aristides Cabrera Correa da Cunha, Armando Licht, cônsul da Venezuela;  Ismael Pereira, encarregado do Consulado da Argentina; Anuplio de Lemos, cônsul de Portugal; Julien Bellot, vice-cônsul da França; Antônio Franco Junior, representando o presidente e o secretário do Touring Clube do Brasil; Domingos Aulicinio, presidente da Sociedade Pró-Cidade de Santos; Álvaro Pinto Novaes Filho, dr. Carlos Pacheco Cyrilo, M. Nascimento Junior, diretor de A Tribuna; dr. H. Runes, dr. Oscar Cox, capitão Hildebrando de Moura, tenente Américo Moretti, José Vieira Barreto, prof. Pedro Crescenti, prof. Job Ayres, d. Fileta Presgrave Amaral, presidente da Associação Cívica Feminina;  Giusfredo Santini, superintendente de A Tribuna e exma. Esposa; dr. Othon Feliciano, Luís Vasone, Luís Merllino, diretor do Sindicato Associação do Comércio Varejista de Santos; Carlos Baccarat, diretor da Sociedade Rádio Atlântica; prof. Malachias de Oliveira, diretor do Ginásio do Estado; dr. Octávio Ribeiro de Mendonça, dr. Francisco Teixeira, dr. Flávio de Oliveira, exma. Senhoras, senhorinhas, representantes da imprensa de Santos, da capital e do Rio de Janeiro, e inúmeras outras pessoas.

 

CURIOSIDADE

Como destaque, uma curiosidade da Exposição do Centenário é que a mesma fora conduzida pelo empresário do setor de construções, João Artacho Jurado, dono da Construtora e Imobiliária Monções, responsável pela construção de diversos edifícios residenciais em São Paulo e Santos. Nesta época ele ainda não tinha alcançado uma fama que o tornou conhecido no país, como um autodidata capaz de projetar edificações de grande beleza arquitetônica, como os edifícios Verde Mar (1957) e Enseada, únicos prédios de apartamentos residenciais tombados pelo patrimônio histórico santista. Jurado, que começou sua produção nos anos 1930 não era formado arquiteto e, por isso, era constantemente fiscalizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura. Seu estilo refletia os sonhos hollywoodianos do pós-guerra em uma mistura de estilos e linguagens: o moderno, o art nouveau, o art deco e o clássico. Visando a classe média-alta e alta, seus edifícios eram projetados com uma série de serviços e opções de lazer: piscina, terraço com bar na cobertura, onde eram promovidas as festas de inauguração.

Oficio ao prefeito encaminhado pelo empresário Artacho Jurado, concessionário da exposição.