Vai tirar a catinga? A pedida é a “Casa de Banhos”

Antes da chegada da água encanada, em 1871, tomar banho em Santos era uma tarefa trabalhosa. A maioria esmagadora das pessoas simplesmente “via água” de forma esporádica. Os mais abastados tinham suas banheiras, abastecidas por serviçais esforçados, que buscavam o precioso líquido nas bicas e nascentes das encostas dos morros, principalmente na fonte do Itororó.

Mas, naquele mesmo ano de 1871, os santistas viram nascer um tipo de estabelecimento que já fazia muito sucesso na Europa, principalmente nas cidades que se expandiam e viam “esmagadas” suas fontes naturais de água: As Casas de Banho.

A primeira do gênero surgiu por aqui por volta de 1870, na Praça dos Andradas, nº 25. Era a famosa “Ao Cisne Santista”, de propriedade de J.J. Marty que, entre outros serviços, foi a introdutora do sorvete na cidade. Algum tempo depois, já nas mãos de outro proprietário, a firma Valentim João Pereira & Cia, a Cisne Santista passou a oferecer também jogos de bilhar e bolas.

O segundo estabelecimento de “banhos” de Santos surgiu em 23 de maio de 1876, na Rua Antonina nº 7 (mais tarde chamada de rua 25 de março e posteriormente 15 de Novembro), num casarão de quatro portas localizado entre a Frei Gaspar e a rua do Comércio. Seu dono era José Caballero (na foto publicada logo abaixo, ao lado do cão), um espanhol natural de Vigo, solteirão convicto e um dos mais ardorosos contribuintes da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia, para quem deixou todos os seus bens, quando faleceu, em 16 de dezembro de 1903. Em reconhecimento, a entidade mantém até hoje um busto de seu benfeitor nos jardins do hospital, no bairro do Jabaquara.

O interessante dessas casas é que elas cobravam por banho avulso ou por pacotes mensais que, com certeza, eram comprados apenas pelos cavalheiros mais distintos. Essas casas não tinham mulheres como clientes.

O ano de 1903 marcou também o surgimento da terceira casa de banhos da cidade, desta vez em um estabelecimento totalmente voltado para o relaxamento e embelezamento, na Praça Mauá, 21. Vale lembrar que tanto o “Ao Cisne Santista” quanto a casa de José Caballero serviam mais como botequim do que casa de banhos propriamente dito.

As Casas de Banho foram muito úteis aos santistas até a popularização das ligações individuais de água encanada e o advento dos chuveiros residenciais. Alívio para os narizes mais sensíveis, que já não suportavam tanta catinga, ou murrinha, originária dos pouco afeitos ao banho diário.

José Caballero (ao lado do cão), foi dono do segundo estabelecimento de banhos da cidade, onde ganhou muito dinheiro.

José Caballero (ao lado do cão), foi dono do segundo estabelecimento de banhos da cidade, onde ganhou muito dinheiro. Clique na foto para ver maior

Anúncio de Casa de Banho

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Anúncio da Casa de Banho de José Caballero

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Anúncio da primeira casa de banhos da cidade.

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