Jornal A Tribuna: testemunha ocular da história santista

Durante décadas, os jornais santistas foram o principal meio de difusão da produção literária da cidade. Os maiores intelectuais da época, de uma forma ou de outra, ou fundaram ou participaram ativamente de algum, ou vários, dos jornais de Santos. Contos, poesias, anedotas e romances desfilavam nas páginas dos folhetins, dividindo espaço com notas comerciais e reportagens do dia-a-dia de Santos, do Brasil e do Mundo. Em meio a este turbilhão de conhecimento e criatividade, nascia o jornal santista mais antigo ainda em atividade: A Tribuna.

Sua história começou com a emigração do jornalista maranhense Olímpio Lima, que veio Santos depois de uma breve passagem por São Paulo, vindo de Belém do Pará, onde iniciara na profissão. Na terra santista, fez amizade com o também nordestino Manoel Tourinho, então presidente da Câmara Municipal de Santos, em 1894. Incentivado pelo político, Olímpio Lima comprou um semanário chamado “A Tribuninha” e trocou seu nome para Tribuna do Povo. O novo periódico logo se tornaria uma publicação semanal, crítica, noticiosa e literária. Seu primeiro número circulou em 26 de março de 1894, numa segunda-feira. Na abertura do jornal, em negrito, Olímpio publicava nota explicativa com o seguinte texto: “Esta folha não tem ligação com nenhum dos partidos políticos militantes, o que melhor a habilita a julgar de ambos. Suas colunas estão francas a todas as manifestações do pensamento. As artes, as letras e as ciências encontrarão nela uma tribuna livre às suas controvérsias e aos seus ensinamentos. Aceita toda sorte de publicações, desde que o decoro público não seja nelas desodorado. As que tiverem por objetivo o interesse público serão feitas gratuitamente e as de interesse pessoal mediante prévio ajuste”.

Porém, a despeito da qualidade jornalística de Olímpio, o maranhense não tinha habilidade para administração e, assim, passou maus bocados. Também se envolveu em brigas políticas, por defender setores mais humildes da sociedade. Chegou a ser preso, por quatro meses, por não conseguir provar acusação feita contra um bacharel influente da cidade. Também sofreu atentado de morte, alvejado por um tiro quando desembarcava de um trem na SPR. Com tantas encrencas nas costas, Olímpio não conseguiu segurar o jornal e o perdeu. O jornalista acabou falecendo durante uma viagem ao Nordeste, na altura do Rio de Janeiro. Seu corpo foi trazido de volta a Santos, onde foi enterrado no Cemitério do Paquetá, numa das cerimônias mais concorridas da época.

Manoel Nascimento Júnior – Depois de passar pelas mãos de outros interventores, A Tribuna chegaria, no ano de 1909, ao comando do jornalista Manoel Nascimento Júnior, cearense de Arati. A partir dai passou a viver uma grande fase de prosperidade.  Nascimento investiu em maquinário, sendo que, em 1912, comprara uma impressora Albert e vários linotipos (máquinas de composição automática), abolindo a feitura manual. Em 1927, já em novo prédio e instalações próprias, que ainda mantém na Rua General Câmara 90-94, adquiriu outro linotipo e a sua primeira rotativa, uma impressora Man, com capacidade para editar jornais de 40 páginas.

Nesse período, o genro de Nascimento, Giusfredo Santini, assumia a superintendência da empresa, dando-lhe nova dimensão. Nascimento Júnior ficou à frente de A Tribuna por 50 anos, falecendo em 29 de maio de 1959. Giusfredo Santini assumiu a direção da empresa, chamando seu filho, Roberto Mário Santini, para superintendência do jornal.

Após o falecimento de Roberto Mário, em 2007, seus filhos assumiram o comando das empresas do Grupo A Tribuna, que já incluía uma gráfica, duas emissoras de rádio (Tribuna AM e Tribuna FM), uma de televisão (TV Tribuna) e três jornais (A Tribuna, Expresso Popular e Primeira Mão), situação ainda presente.

Primeira edição do Jornal Tribuna do Povo, de 26 de março de 1894.

Primeira edição do Jornal Tribuna do Povo, de 26 de março de 1894.

A Tribuna do Povo, editado por Olimpio Lima.

A Tribuna do Povo, editado pelo maranhense Olimpio Lima.

A Tribuna, nos dias de hoje, um jornal moderno e consolidado como um dos mais antigos e importantes do país.

A Tribuna, nos dias de hoje, um jornal moderno e consolidado como um dos mais antigos e importantes do país.

 

 

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