IMPÉRIO BRASILEIRO CRIA A CAPITANIA DO PORTO DE SANTOS

O Arsenal da Marinha, primeira sede da Capitania do Porto de Santos, ficava em frente à Igreja do Carmo.

Em 1845, o Império Brasileiro, sob o comando de D. Pedro II, iniciou um amplo processo de aperfeiçoamento na vigilância dos portos do país, com o estabelecimento de capitanias em cada província marítima. A principal atribuição destas instituições era a de atuar no policiamento naval. No entanto, elas também assumiram o papel de responsáveis pela conservação de atracadouros e armazéns; pela inspeção e administração de faróis, pelos balizamentos e tráfego de navios no porto, ao longo das costas e barras; e pela praticagem, além da matrícula da gente do mar.

Santos veio a ter sua própria capitania em 11 de setembro de 1847, ratificada com a publicação do Decreto Imperial nº 531, assinado por Sua Majestade, o Imperador D. Pedro II. O primeiro titular da capitania santista foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra João Baptista de Souza, que assumiu o cargo apenas em 15 de maio de 1852.

A primeira instalação da Capitania do Porto de Santos foi o prédio do antigo Arsenal de Marinha, que ficava em frente à Igreja do Carmo (exatamente no local hoje ocupado pela Praça Barão do Rio Branco). O local também serviu de abrigo para a Companhia de Aprendizes Marinheiros, a partir de abril de 1868. No início da década de 1880, com a perspectiva de construção do cais amurado do porto santista, a Capitania do Porto e os Aprendizes Marinheiros mudaram-se para um prédio na rua dos Quartéis, 54 (atual Xavier da Silveira), onde permaneceram até fins do século XIX.

Com o advento da República, em 1889, a Capitania do Porto de Santos passou a se chamar Capitania dos Portos do Estado de São Paulo, e mudou de endereço, para a Rua João Otávio, no bairro do Paquetá, onde se manteve até o início de 1918. De lá, foi transferida para a rua General Câmara, 251. Nesta sede também passou a abrigar a residência do capitão dos portos. Em 1935, a instituição foi transferida para o Palacete J. Carneiro Bastos (já demolido), onde permaneceu por 21 anos.

Casarão de Alberto Baccarat

Em dezembro de 1955, a Marinha adquiriu a antiga residência do corretor de café Alberto Baccarat, na Av. Conselheiro Nébias, 488, construída em 1925, durante a época áurea das exportações do produto agrícola pelo porto santista. No início de 1956 começavam as obras de reforma e adaptação do imóvel para tornar-se sede da instituição. Os trabalhos foram concluídos em novembro. No mês seguinte ocorreu a inauguração, que contou com a presença do então ministro da Marinha, almirante de esquadra Antônio Alves Câmara.

Em 1997, ano do sesquincentenário, a instituição adquiriu a denominação de Capitania dos Portos de São Paulo. Em agosto de 2003, as instalações passaram para uma área no cais da Marinha, localizada entre os armazéns 27 e 29, no Porto de Santos, bairro do Macuco, onde está atualmente. O casarão da conselheiro foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico em junho de 2005.

A partir de 1956, a Capitania dos Portos do Estado de São Paulo passou a ocupar o imponente casarão que pertenceu ao corretor de café Alberto Baccarat.

Curiosidade

Amigos da Marinha – Foi no casarão da Avenida Conselheiro Nébias, 488, que nasceu a pioneira instituição Associação Santista dos Amigos da Marinha (ASAM), em 13 de dezembro de 1972. Formada por um grupo de civis e militares reunidos na sede da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo – entre eles o vice-almirante Waldemar Nicolau Canelas Jr., nascido em Santos e ex-capitão dos portos paulistas, depois comandante do I Distrito Naval, a entidade cresceu e se transformou na Associação Paulista dos Amigos da Marinha (Aspam), evoluindo para Sociedade Amigos da Marinha/SP-Santos, quando começaram a ser criadas entidades congêneres (cerca de 40) em outros pontos do estado de São Paulo e do Brasil, integradas a partir do início da década de 1980 pela Soamar-Brasil.

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