Série Hotéis Históricos – Hotéis do Século XIX

A coluna Memória Santista irá abordar, nas próximas publicações, sobre alguns dos antigos hotéis da cidade. Santos, desde os remotos tempos do Império, ofereceu aos seus visitantes diversas opções de hospedagem, uma vez que era largamente visitada ou servia de passagem aos que aqui aportavam com intenção de subir a Serra do Mar em direção à capital ou interior paulista. Também por conta do porto, muitos negociantes e empresários aqui vinham para administrar suas importações ou exportações. Isso sem falar nos que desembarcavam simplesmente a passeio ou em busca de dinheiro fácil. Independente do tipo de visitante, os santistas sempre receberam de braços abertos os que aqui passavam. Assim, os primeiros hotéis e pousadas começaram a surgir em meados do século XIX. Entre os pioneiros, três se destacaram dos demais: O Palm, o Europa, o Hotel dos Estrangeiros e o Internacional do José Menino, o primeiro da orla da praia de Santos. Hoje vamos falar dos três primeiros.

Hotel Europa
Foi, durante anos, um dos mais confortáveis e luxuosos de Santos na virada do século XIX para o XX, estabelecido na Rua João Ricardo, 22, esquina com a Rua do Comércio. Não há data precisa de sua inauguração, mas estima-se que tenha sido por volta de 1860. Em 1881, o estabelecimento foi comprado por Aimée Louise Millon, francesa, viúva de Pierre Millon, com quem tinha outro hotel na cidade, o Millon, fechado dez anos antes. Várias personalidades hospedaram-se no Europa, como Alfredo d’Escragnolle Taunay, o visconde de Taunay , herói da Guerra do Paraguai.

Hotel Palm
Em 1864, Carlos Palm juntou uma boa grana para comprar o decadente Hotel Recreio Santista, que ficava defronte ao Largo do Consulado (atual região da parte posterior do Palácio do Café). Depois de uma boa reforma, abriu o Hotel Palm, que se tornaria uma das maiores referências de hospedagem para viajantes que vinham a Santos para expor a arte da fotografia, como Militão Augusto de Azevedo, que ali montou estúdio para atender os santistas. Em 1916, o casarão branco colonial foi novamente reformado, mas acabou sendo demolido algum tempo depois para dar lugar ao edifício sede da Western Telegraph Company na cidade de Santos.

Roma (Hotel dos Estrangeiros)
Foi um hotel que marcou pela excelência na qualidade de atendimento aos imigrantes que aportavam em Santos. Ficava na esquina da Praça da República com a rua Martim Afonso. Em 1913 sofreu um grande incêndio e teve de ser reconstruído. Quando ficou pronto, os proprietários resolveram mudar seu nome para Washington Hotel. Foi nesta fase que o lugar hospedou o italiano José Pistone, em outubro de 1928. Ele havia assassinado sua esposa, Maria Mercedes Féa, e a retalhado em pedaços. O corpo da mulher estava numa mala que ficara na divisão de bagagens das Docas e que seria despachada para o navio Massília, rumo à França. Mas foi descoberta a tempo de prender o criminoso.

Hotel Palm, que hospedou o fotógrafo Militão, ficava na rua da Praia. Vê-se na imagem, ao fundo, a Casa Hard Hand, ainda existente em Santos nos dias atuais.

Hotel Palm, que hospedou o fotógrafo Militão Augusto de Azevedo, ficava na rua da Praia. Vê-se na imagem, ao fundo, a Casa Hard Hand, ainda existente em Santos nos dias atuais.

Hotel Europa, na Rua do Campo (da Misericórdia), atual Praça Mauá.

Hotel Europa, na Rua do Campo (da Misericórdia), atual Praça Mauá, também em foto de Militão, ambas tiradas em 1864.

No canto direito da imagem, o prédio do Hotel dos Estrangeiros. No centro, há outro hotel, o Salernitano, fundado no início do século XX.

No canto direito da imagem, o prédio do Hotel dos Estrangeiros. No centro, há outro hotel, o Salernitano, fundado no início do século XX.

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