SÉRIE HOTÉIS HISTÓRICOS – O PIONEIRO DA ORLA DA PRAIA

Na última década do Século XIX, Santos começou a descobrir o potencial turístico da região praiana do lado da Baía (vale lembrar que nesta época havia também praia no lado do atual Centro Histórico). A cidade também começava a viver intensamente um amplo processo de saneamento básico, com a construção dos primeiros canais e outras intervenções que objetivavam transformar a qualidade de vida dos santistas. Havia uma grande perspectiva de avanços e ideias urbanísticas que contemplavam o lado sul da Ilha de São Vicente.

Assim, os olhares definitivamente se voltavam à orla atlântica e, acompanhando a nova tendência das pessoas que começavam a frequentar a praia para fins terapêuticos (como tomar sol e banhos de mar), alguns empresários passaram a encarar o investimento hoteleiro na praia como uma chance de sucesso.

Abrindo alas para a hotelaria praiana, em 1894 construiu-se na faixa de areia da praia defronte à Ilha Urubuqueçaba, o Grande Hotel do José Menino. Seu mentor, o empresário Estanislau Amaral, não poupou esforços e luxo para dotar Santos de um estabelecimento hoteleiro de primeira qualidade. O local, inaugurado em 1898, chamava a atenção por conta do glamour e requinte. O prédio era isolado e rodeado de jardins, e apresentava duas fachadas: uma para a linha do bonde e a outra para o mar. O Grande Hotel do José Menino oferecia aos hóspedes (muitos deles membros da elite paulistana) salas de música, de leitura, de conversação, de bilhar, fumoir (sala para fumantes) e o boudoir (sala de vestir) das damas. Junto ao edifício havia ainda pista de patinação e cabines para alugar calções (isso mesmo! E naquela época os calções eram enormes!). O hotel santista seguia, enfim, os padrões europeus típico das estações balneárias marítimas, como Brighton (Inglaterra) e Saint Tropez (França). Era, enfim, superchique.

Em 1906 o estabelecimento fora vendido a empresária Elisa Poli. Com a troca de comando, trocou de nome e passou a se chamar Grande Hotel Internacional do José Menino. A partir desta mudança, o lugar iniciou um novo período, marcado pela realização de grandes festas e concertos.

Por alguns anos, o Hotel Internacional ocupou o posto de estabelecimento hoteleiro mais charmoso da cidade, até ser suplantado pelo sensacional Parque Balneário, que fora inaugurado em 1914 no jovem bairro que mais tarde seria conhecido como Gonzaga. As atividades do Hotel Internacional foram paralisadas em 1956, quando foi desapropriado pelo município, e foi sumariamente demolido a partir de 1959. Ficou na lembrança dos santistas do passado e deixou grandes imagens para a posteridade. O local onde estava erguido é atualmente ocupado por vários edifícios residenciais.

Hotel Internacional do José Menino, visto da areia da praia. Esta foto tem uma curiosidade. O menino que aparece entre duas meninas ficaria famoso quando adulto. Ele é Ricardo Gumbleton Daunt, que se tornaria advogado, historiador e genealogista. Todos os RG de São Paulo levam o nome do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.

Hotel Internacional do José Menino, visto da areia da praia. Esta foto tem uma curiosidade. O menino que aparece entre duas meninas ficaria famoso quando adulto. Ele é Ricardo Gumbleton Daunt, que se tornaria advogado, historiador e genealogista. Todos os RG de São Paulo levam o nome do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt.

O Zeppelin Hindenburg, sobrevoando o Hotel Internacional em 1936.

O Zeppelin Hindenburg, sobrevoando o Hotel Internacional em 1936.

O Hotel Internacional testemunhando o surgimento dos primeiros prédios da orla santista.

O Hotel Internacional testemunhando o surgimento dos primeiros prédios da orla santista.

O início da demolição do Hotel Internacional, em 1956.

O início da demolição do Hotel Internacional, em 1959.

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