Baralho anos 1920/1939

Os anos 1920 foram os anos de maior prosperidade da terra santista, auge do comércio cafeeiro e desenvolvimento da cidade, que crescia a olhos vistos para os lados da Baía de Santos. Nascia neste período, que findou em 1939, grande atividades esportivas, culturais e sociais. Nomes de extrema relevância foram determinantes na construção santista e na consolidação do futuro da cidade. Nos anos 1930, apesar da crise internacional provocada pelo Crash da Bolsa de Nova Iorque em 1929, Santos se desenvolveu bem e inaugurou grandes edificações, como o próprio Paço Municipal.

::::::::: AFFONSO SCHIMIDT :::::::::

O jornalista, romancista e poeta brasileiro Afonso Schmidt nasceu no dia 29 de junho de 1890, na cidade de Cubatão, São Paulo. Aos dezesseis anos e morando em São Paulo, o escritor já colaborava em pequenos jornais do interior do Estado. Após uma estadia na Europa, mudou-se para a cidade de Santos onde, decidido a se dedicar ao jornalismo, fundou o periódico Vésper e publicou seu primeiro livro Janelas Abertas. Retornou à Europa em 1913, trabalhando como correspondente de Língua portuguesa em um jornal de Milão. Com o início da Primeira Guerra Mundial retornou ao Brasil se estabelecendo na cidade do Rio de Janeiro e trabalhando como diretor do “Jornal do Povo”. Trabalhou também nos jornais “Folha da Noite” e “O Estado de São Paulo”.  Foi justamente no “O Estado de São Paulo” que Afonso Schmidt publicou em formato de folhetim seus romances Zanzalá, A Marcha e A sombra de Júlio Frank. Poeta parnasiano, em suas obras destacava as injustiças sociais. Também foi o pioneiro da ficção científica no país com Zanzalá. No ano de 1963 recebeu pela União Brasileira de Escritores o troféu “Juca Pato” como “Intelectual do Ano”. Foi sócio fundador do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, além de membro da Academia Paulista de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Morreu em São Paulo, no dia 3 de abril de 1964, aos 73 anos.

::::::::: ANTONIO EZEQUIEL :::::::::

Advogado de formação, foi prefeito de Santos entre 1953 e 1957. Também exerceu o cargo de vereador algumas vezes, sendo a primeira em 1926. Na Revolução de 1930, Feliciano foi nomeado para integrar a junta governativa provisória de Santos. Voltou à Câmara em 1934. Entre 1941 e 1945 foi membro do Conselho Administrativo de estado de São Paulo. Neste último ano foi eleito deputado de São Paulo na Assembleia Nacional Constituinte pelo Partido Social Democrático (PSD). Na Câmara Federal votou contra a cassação dos mandatos dos parlamentares comunistas em 1948. Em 1950 reelegeu-se deputado federal por São Paulo ainda pelo Partido Social Democrático (PSD) e tornou-se vice-líder do partido na Câmara 1952. Exerceu a legislatura até abril de 1953, quando assumiu a prefeitura de Santos, eleito na legenda do PSD. No litoral, terminou seu mandato em 1957, sendo eleito um ano depois deputado em São Paulo, ainda no PSD. No ano seguinte, 1959, quando começou seu mandato, deixou a vice-liderança do partido, mas no mesmo ano, em junho, retomou o cargo de vice-líder. Em outubro seguinte foi mais uma vez eleito deputado federal por São Paulo, ainda na legenda do PSD. Com o fim dos partidos em 1965 por conta do Ato Institucional nº 2 e a instauração do bipartidarismo, Feliciano filiou-se a Aliança Renovadora Nacional (Arena), o partido dos militares. Em 1966 foi eleito deputado federal por São Paulo pelo partido, deixando a Câmara no final do mandato em janeiro de 1971. Ao fim de sua legislatura, dedicou-se ao ensino universitário, lecionando direito penal na Faculdade Católica de Direito de Santos. Foi ainda ministro do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

::::::::: ANTONIO GOMIDE R. SANTOS :::::::::

Antonio Gomide Ribeiro dos Santos (nascido em 11 de dezembro de 1888, na capital paulista) era engenheiro civil, formado pela Escola Politécnica de São Paulo. Após ter se graduado, tomou o rumo de Santos, onde foi contratado para trabalhar no setor de obras da Prefeitura, chegando ao cargo de diretor depois de quase 20 anos de casa. Querido pelo funcionalismo santista e conhecido por sua competência técnica e comprometimento, Ribeiro dos Santos foi alçado à condição de prefeito municipal pela primeira vez, embora de forma interina, em abril de 1935, em substituição ao titular, o urbanista Aristides Bastos Machado, que se licenciara do posto para disputar a eleição ao cargo de deputado estadual (na época era permitido esse movimento). Em 13 de agosto de 1936, Gomide devolveria a função a Aristides. Ele voltaria a ser prefeito em outras duas ocasiões, sendo a principal entre 1941 e 1948. Antônio Gomide Ribeiros dos Santos deixou grandes marcas na cidade durante essa gestão. Ele inaugurou espaços até hoje simbólicos, como o Aquário Municipal e o Orquidário. Foi no seu período que aconteceu a obra de abertura da avenida almirante Saldanha da Gama, quando surgiram as famosas muretas dos canais (um dos símbolos atuais da cidade).

::::::::: ARISTIDES BASTOS MACHADO :::::::::

Urbanista, deputado, prefeito que iniciou o ajardinamento das praias santistas, Aristides Bastos Machado governou a cidade de Santos por duas vezes, de 1932 a 1935 e em dois meses de 1936. Seu nome foi dado à via elevada sobre o túnel, que liga a Avenida São Francisco à entrada de Santos.

::::::::: FRANCISCO MARTINS DOS SANTOS :::::::::


Nasceu em Santos, a 5 de fevereiro de 1903. Filho do abolicionista e republicano Américo Martins dos Santos e de D. Valentina Guimar Patusca Martins dos Santos. Estudou as primeiras letras na Escola de d. Maria Guimarães e com o prof. Francisco Russo da Silveira. Depois cursou o Ginásio Santista até o 1º ano secundário. Em 1915 foi para S. Paulo, onde cursou o Liceu Salesiano (do Sagrado Coração de Jesus). A gripe espanhola interrompeu seus estudos de Direito, Letras e em Biblioteconomia. Ainda assim, anos mais tarde, formou-se em Ciências e Letras, em São Paulo, e em Biblioteconomia, no Rio de Janeiro. Tendo desistido dos estudos jurídicos, em São Paulo, e de volta a Santos, dedicou-se ao jornalismo, trabalhando, a partir de 1920, em todos os jornais santistas. Francisco Martins dos Santos foi historiador, escritor, poeta, jornalista, crítico de arte, conferencista, professor de História e Geografia e polígrafo. Foi membro da Academia Santista de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e de mais de uma dezena de consagradas instituições nacionais de arte, literatura, geografia, poesia e história. Faleceu em 11 de outubro de 1978, em São Vicente, onde presidia, então, o Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. 

::::::::: COSTA E SILVA SOBRINHO :::::::::

José da Costa e Silva Sobrinho nasceu em Caeté em 13 de fevereiro de 1892 . Foi advogado, professor, cronista e historiador. Filho do ministro Antônio José da Costa e Silva, um dos grande penalistas brasileiros e de Anésia Monteiro da Costa e Silva. Fez seus primeiros estudos em Guaratinguetá, na escola de Maria Amélia de Morais, e depois em São Simão, no Colégio Augusto Lago, entre 1904 e 1907. Em 1912, ingressou na Faculdade de Direito de São Paulo (Faculdade do Largo de São Francisco) vindo a obter o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1916. Como estudante de Direito, foi redator do Onze de Agosto, em 1915. Depois de formado, José da Costa e Silva Sobrinho abriu banca de advocacia em Santos, onde se radicou, exercendo a profissão com brilho durante 40 anos. Historiador do Conselho Administrativo do Museu Historiador do Conselho Administrativo do Museu Histórico e Geográfica e Pedagógico dos Andradas, criado pelo Decreto Estadual nº 30.324, de 10 de dezembro de 1937, Costa e Silva Foi um dos fundadores da Faculdade Católica de Direito, hoje Faculdade de Direito da Universidade Católica de Santos, onde lecionou Direito Civil e foi seu primeiro diretor, de 1953 a 1957.

::::::::: BISPO DOM LARA :::::::::

Logo após a criação da Diocese de Santos, foi ordenado seu primeiro Bispo Dom José Maria Parreira Lara, tomando posse em 18 de Abril de 1925. Ficou nove anos à frente do cargo (até 2 de Outubro de 1934) Entre suas realização, destacou-se a fundação da Associação “Casa do Senhor”, que tinha por finalidade o amparo às crianças filhas de operários e empregadas domésticas que trabalhavam fora de seus lares. Lara mandou construir uma creche com semi-internato para ambos os sexos de 3 a 6 anos, e internato para meninas de 6 a 18 anos, além de Escola Primária e Profissional. Dom José Maria iniciou uma Diocese muito carente de Clero e de meios materiais. Narra-se que o Arcebispo de São Paulo convidava-o para administrar o Santo Crisma, a fim de que pudesse usufruir na ocasião das espórtulas oferecidas pelos fieis. Por essa dedicação às crianças e aos pobres, recebeu o epíteto de “Bispo da Caridade”.

::::::::: DOM PAULO DE TARSO :::::::::

Foi eleito bispo de Santos em 1º de junho de 1935, substituindo Dom Lara. Na cidade santista, fundou, em 1939, a obra de assistência social ALA – Assistência ao Litoral de Anchieta, destinada ao atendimento social das populações litorâneas, pela alfabetização, educação cívica, física, profilaxia das moléstias endêmicas e por meio de combate à mortalidade infantil e ao alcoolismo. Fez-se ajudar nesse empreendimento pela Federação das Filhas de Maria, tendo se destacado, entre outras a Professora Alayde de Oliveira Ratto, e as Cônegas de Santo Agostinho, do Colégio Stella Maris, que deram continuidade a essa obra após sua transferência para Campinas-SP, em dezembro de 1941.

::::::::: INDIO DA ARMADA :::::::::

O primeiro grande nome santista do boxe surgiu nos anos 1930. Foi Antonio Gomes Mesquita, conhecido entre os praticantes e seguidores do pugilismo como o “Índio da Armada”, em razão dele ter sido formado na Marinha do Brasil. Atleta da categoria leve, foi campeão brasileiro em 1938, vencendo a batalha contra o hábil “Jack Tigre”. Naqueles mesmos anos, outro pugilista ganharia fama em Santos e no Brasil. Era Geraldo Silva, o “Garoto de Bronze”, terceiro lugar na categoria pena no Sul Americano de Boxe em 1933.

::::::::: CORONEL JOAQUIM MONTENEGRO :::::::::

Nascido na cidade de Santos em 9 de novembro (c. 1860), Joaquim Montenegro logo se tornaria uma das figuras mais influentes da cidade. Admirador de Silva Jardim, se tornou um republicano fervoroso, ingressando na vida pública pelo Partido Republicano Municipal, em 1896, como vereador. Seu espírito combativo, de liderança, logo o alçaria à condição de peça de destaque dentro do Conselho de Intendência de Santos (nesta época ainda não existia a Prefeitura, como instituição do executivo municipal), chegando a assumir o posto de intendente (cargo equivalente ao de prefeito) de 4 de maio de 1898 a 7 de janeiro de 1899, por conta da renúncia do vereador Antônio José Malheiros Júnior, ocupante anterior do cargo. Eleito para mais uma legislatura, Montenegro se manteria na Câmara nos primeiros anos do século 20, até 1902, quando deixou momentaneamente a política para dedicar-se à sua carreira no direito e no ramo de seguros. Em 1918, Montenegro foi alçado ao cargo de vice-prefeito na gestão de Belmiro Ribeiro de Moraes e Silva e se tornou prefeito de Santos em 15 de janeiro de 1920. A cidade vivia um de seus períodos mais áureos do ponto de vista econômico e de desenvolvimento. Naquele mesmo ano, Montenegro recepcionaria em Santos o rei e a rainha da Bélgica, num dos acontecimentos mais marcantes daquela década. O prefeito foi condecorado pelo soberano daquele país europeu com a medalha da Ordem de Leopoldo II. Entre os grandes feitos dele, estão a inauguração da Praça da Independência e da Bolsa do Café.

::::::::: JOSÉ MARTINS FONTES :::::::::

José Martins Fontes, o “Zezinho Fontes”, nasceu na casa 4 da praça José Bonifácio, filho de Isabel Martins Fontes e do Dr. Silvério Martins Fontes, freqüentou os principais colégios de seu tempo, entre eles o Colégio Nogueira da Gama, em Jacareí. Em sua vida de estudante em Santos, teve como professor Tarquínio da Silva, ao qual prestou homenagem posteriormente. Mais tarde vai para o Rio de Janeiro, onde estuda no Colégio Alfredo Gomes. Escreveu durante toda a sua vida, trabalhando para os jornais “A Gazeta” e “Diário Popular” em São Paulo, e para o “Diário de Santos” e o “Cidade de Santos”. Sua obra, bastante volumosa, soma mais de setenta títulos publicados em poesia e prosa, além de algumas de caráter científico. Foi titular da Academia das Ciências de Lisboa e, ao longo de sua vida, recebeu os títulos de comendador da Ordem de São Tiago da Espada, Cavalheiro da Espanha, Par da Inglaterra e Grã-Cruz da Ordem de São Tiago da Espada, conferido pelo Presidente da República de Portugal. É patrono da cadeira n.° 26 da Academia Paulista de Letras.

::::::::: JULIO CONCEIÇÃO :::::::::

Nascido em Piracicaba em 12 de março de 1864, filho dos barões de Serra Negra, Júlio Conceição chegou a Santos em 1882, quando crescia a campanha abolicionista, à qual logo se dedicou. Comissário de café, participou ativamente da política local, sendo vereador em 1887 e dois anos depois presidia a Câmara Municipal, na última legislatura do Império. Idealizou empreendimentos para o progresso e fomento da cidade como Parque Indígena e do Parque Balneário de Santos. Foi sócio benemérito de diversas instituições caritativas, sociais, científicas e educacionais da cidade, a exemplo da Santa Casa de Misericórdia de Santos, o Instituto Histórico e Geográfico de Santos e Associação Feminina de Santos, sendo desta última, patrono de uma de suas Escolas Maternais.  Faleceu em Santos a 10 de setembro de 1938.

::::::::: SAMUEL LEÃO DE MOURA :::::::::

O médico Dr. Samuel Augusto Leão de Moura nasceu em Niterói-RJ, no dia 13 de agosto de 1898, e formou-se em medicina aos 22 anos. Chegou a Santos em 1921, ingressando na Santa Casa de Misericórdia. Em 1923, fundou o seu próprio laboratório – o primeiro em Medicina Diagnóstica a funcionar na Baixada Santista, dirigindo simultaneamente o serviço de controle da peste bubônica. Posteriormente, em 1939, desenvolve o mesmo serviço na Santa Casa de Santos e na Sociedade Portuguesa de Beneficiência. Foi ainda sócio-fundador da Casa de Saúde de Santos (1925) e seu diretor por décadas. Sócio-fundador também do Rotary Club de Santos (1927) e Campinas (1931) – o primeiro Clube do interior paulista. Em Santos, foi presidente em três ocasiões: 1930/1931, 1935/1936 e 1967/1968.

Dr. Leão de Moura também foi fundador e o primeiro presidente da Associação dos Médicos de Santos, em 1939. Fundou a Casa da Esperança, em julho de 1957, entidade voltada à infância e em especial aos deficientes físicos, intelectuais e/ou sensoriais. Destacou-se nacionalmente por sua luta contra a esquistossomose, recebendo a Medalha de Ouro do Instituto Adolfo Lutz, assim como a Medalha de Honra ao Mérito em 1961, devido aos serviços prestados no campo da assistência social, e o título de Cidadão Santista em 1964.

Estimulador e ativo participante de quase todos os movimentos filantrópicos em Santos. Foi dele também a ideia de instalar postos de salvamento nas praias de Santos para atender os banhistas. Morreu ativamente, trabalhando na Casa da Esperança, sofrendo infarto no 3 de agosto de 1978, 10 dias antes de completar 80 anos.

::::::::: LORD GORILA :::::::::

Luiz Carvalho, o famoso Lord Gorila, foi o criador da famosa patuscada “Dona Dorotéia, Vamos Furar Aquela Onda?”, que se tornou a partir dos anos 1920.  Recém chegado do Rio de Janeiro, ficou sócio do Saldanha da Gama, onde testemunhou a brincadeira dos novos colegas. Considerou que, apesar de divertida, o banho à fantasia era bastante desorganizado. Assim, resolveu dar seus “pitacos”. Juntando com alguns amigos, como Dawson Muniz (Whisky), Hermam Palmeira Martins (Maninho), Campos Moura (Rajá), Tito Palma (Homem de Cobra), o próprio Feliciano Firmino Ferreira (Javali), entre outros, Luiz Carvalho sugeriu que a festa saldanhista se espelhasse no que o Clube de Regatas Flamengo, do Rio, fazia na capital federal. Antes do banho à fantasia, o ideal era promover um desfile pelas ruas da cidade, a fim de chamar a atenção da população, e brincar com todos os que quisessem participar. Ao final, todos pulariam na água no trecho da praia defronte ao clube, na Ponta da Praia.

::::::::: LUCIO GROTTONE :::::::::

Peso-Pesado, Grottone, conhecido nos ringues como “El Tigre Santista” se tornou campeão paulista e brasileiro em 1950 e 1951. Não satisfeito com as conquistas estadual e nacional, ainda levou os títulos sul-americano de 51 e 52, o vice-campeonato do 1º Pan-americano de 1951, disputado na Argentina e uma excelente quarta colocação nas Olimpíadas de Helsinque, em 1952. O sucesso de Grottone atraiu outros jovens santistas para o esporte. O boxe também chamou a atenção dos clubes militares da região, que prontamente criaram suas próprias academias.

::::::::: MARIA MÁXIMO :::::::::

Nasceu com o nome Maria da Piedade, na pequena aldeia de Riodades, em Portugal, filha de Ismênia de Jesus e Aurélio Augusto Pimentel d’Azevedo Botelho. Cresceu com os pais e depois foi morar na cidade do Porto para tentar a vida artística. Usava o nome artístico de “Maria Mesquita”. Revelava ter boa instrução pela caligrafia, prosa e rima. Dominava a oratória devido a sua condição de artista. Em 1919 parte para o Brasil, indo para Belém do Pará, onde residiam alguns irmãos. Foi em Belém que Maria da Piedade conheceu Miguel Máximo, numa espécie de teatro itinerante. Maria e Miguel partem para São Paulo, onde se casam em 1921. Cinco anos depois, o “Duo Max”, Maria Máximo e Miguel Máximo” constituem o Teatro itinerante pelo Brasil. Nos anos 1930, eclodem as faculdades mediúnicas de Maria Máximo e recebe a orientação de seu pai de transferir-se para Santos, iniciando a ação de curas através de passes e água fluída. Em 1937, ela funda o Centro Espírita Ismênia de Jesus. Em 1940, seu esposo falece e ela vai busca orientação com Chico Xavier. Maria Máximo morre em 1949. Ela deixaria uma mensagem a todos os seus amigos: “Se desejais minha felicidade, não choreis pela matéria, orai pelo espírito…Finalmente recebi minha carta de alforria”.

::::::::: CLEOBULO AMAZONAS DUARTE :::::::::

Cleóbulo Amazonas era filho do Major Antonio Pedro Duarte e de Dona Irinéa Amazonas Duarte. Seus primeiros estudos foram feitos no Atheneu Sergipense, ao mesmo tempo tomando aulas particulares de francês e português. Em 1913 foi para Santos e, no ano seguinte, para o Rio de Janeiro, onde se formou pela Faculdade de Direito, em 1921. Durante o tempo em que esteve morando no Rio, Amazonas Duarte sempre exerceu o magistério, dando aulas de geografia, história e português nos colégios Lessa e Silvio Leite e no Ginásio 28 de Setembro. Formado advogado, voltou para Santos para exercer diversas atividades. Foi professor-titular de história da Economia da Faculdade de Ciências Econômicas e Comerciais de Santos durante dez anos e lecionou Direito Penal na Faculdade Católica de Direito. Também lecionou durante trinta anos na Associação Instrutiva José Bonifácio. Além do magistério, exerceu a advocacia durante quase cinquenta anos, quatro dos quais como Promotor do Estado, além de Consultor Jurídico da Capitania dos Portos do Estado de São Paulo. Faleceu a 12 de fevereiro de 1979, com 81 anos de idade.

::::::::: OSMAR GONÇALVES :::::::::

Ao lado de Juhá Haffers e Silvio Manzoni, foi um dos primeiros surfistas brasileiros da história do esporte no país, fato ocorrido em 1938. Os três ficaram encantados com a prancha construída pelo multiatleta Thomas Rittscher, que a elaborou a partir de um artigo do famoso surfista norte americano Tom Blake, para a revista Popular Mechanics. Ao contrário de Rittscher, que abandonou a prática do surfe no versão seguinte, Osmar e seus amigos continuaram a dropar as pequenas ondas da Baía de Santos, e se consolidaram como a primeira serão de sufistas brasileiros.

::::::::: VICENTE DE CARVALHO :::::::::

Vicente Augusto de Carvalho, nasceu em Santos em 05 de abril de 1866. Aos 20 anos de idade colou o grau de Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Faculdade de Direito de São Paulo. Poeta, escreveu seu primeiro livro de versos em 1885 ainda em sua vida de estudante. Integrou o movimento abolicionista em Santos. Atuante escritor de artigos em diversos jornais da época, como o Diário de Santos. Em 1890, fundou o Diário da Manhã. Teve uma longa vida de atuação política sendo diretor do Partido Republicano e deputado constituinte, nomeado para comissão de redação da Constituição Paulista de 1891. Abandonou a vida pública para advogar em escritório jurídico em Santos, falecendo nessa cidade em 22 de abril de 1924.

::::::::: Zezé Leone :::::::::

Maria José Leone, a Zezé, tinha apenas 19 anos de idade quando participou da etapa santista do concurso “A Mais Bela”, promovido pela revista Flamma. Em meados de setembro de 1922, em plena comemoração aos 100 anos da Independência do Brasil, os santistas haviam proclamado sua Rainha da Beleza. Com 3.256 votos, Zezé Leone foi a eleita a mais linda de Santos, seguida da senhorinha Lili Machado e de Carolina Russo. Representando os santistas, Zezé disputou com outras 319 participantes de norte a sul do Brasil o título de “Sua Majestade, a Mais Bela Mulher Brasileira”, e saiu vencedora, depois de disputar as finais contra as representantes de Salvador, Porto Alegre e Rio de Janeiro. Sua fama alcançou todos os rincões do país. Zezé virou estrela de cinema e seu nome foi associado à beleza. Recebeu o prêmio em 1923 e casou-se no ano seguinte. Mas foi infeliz no casamento e separou-se nos anos 1930. Foi para São Paulo e viveu reclusa, longe dos holofotes, até morrer praticamente esquecida em 1965, na véspera de seu aniversário.

>>>>> CARTAS DE FATOS HISTÓRICOS <<<<<