Baralho Anos 1940/1959

Duas décadas distintas. A primeira marcada pelas agruras da Segunda Grande Guerra Mundial e a segunda pelos anos dourados e retomada do crescimento econômico, além do surgimento da televisão e da indústria nacional automobilística. Santos cresceu no setor de lazer e turismo e produziu grandes nomes para as artes, esporte e política. E também conviveu com personagens marcantes, como podem ser vistos a seguir:

::::::::: ATHIÊ JORGE COURY :::::::::

Nascido em Itu ( SP)  em 1904,  transferiu-se para São Paulo ( SP) em 1927 e se graduou em Economia pela Universidade Mackenzie. Desde jovem  Athié nutria paixão pelo Futebol e atuou como goleiro do Santos Futebol Clube na década de 1930. Através de sua atuação profissional, Athié tornou-se um fervoroso torcedor do Peixe e durante sua vida ocupou vários cargos no Clube e chegou a presidência do mesmo em 1945, ocupando-a durante 26 anos , justamente o período no qual o Santos ficou reconhecido mundialmente como “melhor equipe das Américas”. Atuou também durantes muitos anos na política, ocupando os cargos de vereador da cidade de Santos, Deputado Estadual e Deputado Federal pelas legendas do PSP e ARENA. Faleceu aos 88 anos em 1992

::::::::: DOM IDILIO JOSÉ SOARES :::::::::

Foi o terceiro bispo de Santos, assumindo a missão em 19 de Setembro de 1943. Homem de visão, Dom Idílio olhou para o futuro da cidade e região e, de forma pioneira, deu início aos cursos superiores do que viria a se tornar a Universidade Católica de Santos (Unisantos), com a criação da primeira Faculdade de Direito, em 15 de Julho de 1952. Também prosseguiu no andamento e conclusão das obras da Catedral, dando por encerrados os trabalhos em março de 1967. Tendo participado da primeira sessão do Concílio Vaticano II, em 1962, D. Idílio, em dezembro de 1966, entregou a Diocese ao seu Bispo Coadjutor, Dom David Picão, retirando-se para Campinas. Ali, veio a falecer no dia 10 de dezembro de 1969, estando seus restos mortais na Catedral santista, na cripta que ele mesmo construiu.

::::::::: ELIAS NEVES DE OLIVEIRA :::::::::

Santista, nascido em 1933, Elias iniciou-se no esporte aos 16 anos através do Clube de Regatas Saldanha da Gama praticando o halterofilismo, modalidade pouco conhecida na época. Atuou como professor de Educação Física, destacando-se por fundadar do Clube Santista de Halterofilismo (CSH) nos anos 1950, sendo campeão brasileiro e sul-americano da modalidade. Desde 1954 passou a organizar um dos mais antigos eventos de fisiculturismo do mundo: o “Mister Santos”. Em 1960, representando o CSH, participou da criação da Liga Santista de Halterofilismo. 

::::::::: FRANCO BEZZI :::::::::

Nascido em Santos, em1927, Francisco Bezzi Neto, – conhecido como Franco Bezzi – foi um dos pioneiros no motociclismo, onde atuou por mais de 25 anos e conquistou títulos nacionais e internacionais. A prova que o debutou para o esporte motorizado aconteceu em Santos, numa competição que homenageava as Forças Expedicionárias Brasileiras, recém retornadas da II Guerra Mundial (1945). Mesmo após um grave acidente, conquistas importantes marcaram sua carreira como um bicameponato brasileiro (51 e 52) e um vice em 53. Mas fora nas provas de subida da Serra do Mar que se notabilizou, como bicampeão do circuito e o recorde da prova, nunca batido por qualquer adversário. Venceu, ao longo da carreira, outras provas importantes, como a Taça Brasil, Circuito do Maracanã – Rio de Janeiro; 24 Horas de Interlagos Cat 500 cc Internacional; Prêmio Cidade de Joinville (Bi-Campeão) e Prêmio Cidade de Blumenau. Franco era filho de Luiz Bezzi, uma lenda do esporte (motociclismo) no país, campeão brasileiro por sete vezes e detentor de outros diversos títulos, muitos deles disputados contra o próprio filho (Franco).

::::::::: GUARDA BIGODE :::::::::

Lupércio Mussi, o Bigode, nasceu na cidade interiorana de Amparo, em 1914. Mecânico de formação técnica, ingressou na Guarda Civil do Estado de São Paulo aos 25 anos de idade. Foi destacado para a cidade de Santos em 1941. No ano seguinte, passou a ser o guarda civil responsável pelo policiamento nas praias do Gonzaga, onde alcançou a popularidade que o tornou o “Bigode”. Em 1949, ao tentar conter a balbúrdia promovida por dois milicianos da Polícia Marítima que estavam embriagados em um bar, o Guarda Mussi foi agredido e baleado. Cinco tiros o atingiram, e ele caiu ensanguentado. Covardemente, continuaram a agredir a vítima, só cessando o espancamento quando supôs que o adversário havia morrido. Após esse episódio em que quase morreu na função do dever, Mussi ganhou a “Menção Honrosa” do Governo do Estado de São Paulo e passou a ser conhecido como um super-heróis santista. Por sua atuação marcante em diversos outros episódios – como nas tragédias provocadas pelas chuvas em Santos onde morreram dezenas de pessoas por conta dos deslizamentos dos morros -, Bigode foi diversas vezes homenageado. No ano seguinte, Lupércio Mussi se aposentava, após 25 anos de serviços prestados à comunidade.

::::::::: GYLMAR DOS SANTOS NEVES :::::::::

Começou sua carreira no Jabaquara Futebol Clube em 1951, atuando posteriormente no Corinthians entre 1951 e 1961 e no Santos entre 1962 e 1969. Gylmar ainda foi o goleiro da Seleção Brasileira, conquistando com a camisa canarinho as Copas do Mundo de 1958 e 1962. Foi um dos goleiros mais vitoriosos da história brasileira. Encerrou sua carreira nos gramados em 1969. Faleceu de complicações de um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em 2013.

::::::::: JOSÉ DIAS HERRERA :::::::::

Filho de imigrantes espanhóis, Zezinho como era conhecido, nasceu em São Paulo, em 1920, mas bem cedo mudou-se para Santos tornando-se o grande fotógrafo da cidade. Aos 14 anos, teve o primeiro contato com a fotografia. Por volta dos 17 anos, entrou para o jornalismo. Trabalhou nos periódicos “O Diário” e “A Tribuna”. Desde então, registrou Getulio Vargas, Jânio Quadros, Luiz Carlos Prestes e um personagem recorrente, ainda em início de carreira: Pelé. Segundo a filha Ilka, o pai foi o primeiro a fotografar o jogador. Por muito tempo, José Dias Herrera, foi um dos fotógrafos mais antigos em atividade no país. Aos 86, ele ainda fazia pautas para a Prefeitura de Santos. Foram mais de 60 anos de profissão, um acervo formado por cerca de 100 mil negativos e incontáveis histórias. Morreu aos 89 anos. Teve duas filhas, cinco netos e uma bisneta.

::::::::: LENY EVERSONG :::::::::

Atuando com o nome de batismo, Hilda Campos, começou sua trajetória em 1932, aos 12 anos de idade, inscrevendo-se para tomar parte do programa “Hora Infantil da PRB-4”, produzido pela Rádio Clube de Santos.  Em 1935, adotou o nome Leny Eversong e partiu na estrada, sendo chamada para atuar nas maiores emissoras do país (Tupi, Cultura, Gazeta, Bandeirantes, Record, Nacional) assim como apresentar-se nos principais palcos brasileiros: Cassino da Urca, Copacabana Palace, Cassino do Guarujá, Night Clube de São Paulo, entre outros. Em 1940 ela gravava seu primeiro Long Play (LP), pela Copacabana Discos, emplacando sucessos como o samba “Ele não veio” e a valsa “Roda, roda, roda”. Foi na segunda metade dos anos 50 que Leny viveu o auge de sua carreira, sendo convidada a participar do famoso programa “Ed Sullivan Show”, líder de audiência nos Estados Unidos, substituindo ninguém menos do que Elvis Presley. Veja mais em Memória Santista.

::::::::: LINCOLN FELICIANO :::::::::

Nascido em Paraibuna (SP) mudou-se para São Paulo onde se formou na tradicional Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1915. Após ocupar o cargo de Juiz e de Prefeito Municipal de Palmas (SP) fixou-se em Santos onde foi presidente da Sociedade Amigos de Martins Fontes, membro da mesa administrativa da Santa Casa de Misericórdia e do Instituto Histórico e Geográfico de Santos. Junto com seu irmão Antônio Feliciano, teve uma importante vida pública na cidade, ocupando o cargo de Prefeito Municipal durante dois breves períodos em 1935 e 1945. Um dos fundadores do PSD (Partido Social Democrático) foi ainda Deputado Estadual e Deputado Federal, entre o fim dos anos 1940 e metade dos anos 1950.  Em 1966 foi nomeado pelo Presidente da República, Marechal Castello Branco para ocupar a Prefeitura de São Vicente, cargo que ocupou até o final do ano seguinte.

::::::::: LUIS ALONSO PEREZ (LULA) :::::::::

Nascido em Santos em 1922, Lula notabilizou-se por ser o técnico do Santos Futebol Clube entre 1954 e 1966, período no qual o Alvinegro da Vila Belmiro foi bicampeão Mundial e da Libertadores da Américas. Foi ainda técnico da Portuguesa de Desportos e do Corinthians entre o final da década de 1960 e início dos anos 1970. Faleceu aos 50 anos de idade depois de uma complicação decorrente de uma cirurgia de transplante de rim.

::::::::: MANECO FERNANDES :::::::::

Nascido em 29 de setembro de 1921, na cidade de São Paulo, Manoel Fernandes, o Maneco, desde muito cedo teve contato com o esporte das raquetes.  Em 1939, Maneco recebeu sua primeira grande oportunidade, a convite do famoso tenista japonês Jiro Fujikura, que se radicou no Brasil após participar de um torneio em São Paulo, que contou com a participação de Fernandes. Uma das partidas mais memoráveis de Maneco aconteceu em Santos, em 1948, contra o então vencedor do torneio de Wimbledon, o norte americano Bob Falkenburg. Maneco disputou a Copa Davis, pelo Brasil, em 1948, vencendo atletas colocados entre os primeiros do ranking mundial. Veja mais em Memória Santista

::::::::: MARGARIDA REY :::::::::

A santista Margarida Rey (1924 –  1983) foi uma grande atriz – a primeira a assumir publicamente sua homossexualidade. Integrante de importantes companhias dos anos 50, permaneceu ativa nas transformações ocorridas nos anos 60. Dotada de forte personalidade, atingiu grandes desempenhos em papéis dramáticos e trágicos, seus momentos de maior êxito. Sua carreira iniciou no teatro, espaço primordial de sua trabalho. A estréia nos palcos se deu em A rainha morta, em 1947, com o grupo Os Comediantes, com direção de Ziembinski. Atuou também na televisão e no cinema. 

::::::::: MARY GONÇALVES :::::::::

Nascida em Santos, em 1927, Mary Gonçalves, nome artístico de Nice Figueiredo Rochafoi atriz e cantora. Iniciou a carreira artística como atriz de cinema. No início da década de 1950 foi contratada pela Rádio Nacional. Estreou em disco em 1951 pela gravadora Sinter interpretando os sambas-canção “Penso em você” e “Só eu sei”, ambos de Paulo Soledade e Fernando Lobo com acompanhamento de Lírio Panicali e seu conjunto de boite. Em seguida, gravou o bolero “Aquele beijo”, de Claribalte Passos e Lírio Panicali e o samba-canção “Chega mais”, de Pernambuco e Marino Pinto, com acompanhamento da orquestra de Lírio Panicali. Ainda nesse ano, gravou o samba “São Paulo”, de Antônio Maria e Paulo Soledade e a marcha “Carnaval na Bienal”, de Heitor dos Prazeres. Nessa época, passou a atuar como contratada na Rádio Nacional. Em 1952, foi eleita a Rainha do Rádio com um votação de 744.826 votos. Segundo o jornalista e pesquisador Sylvio Túlio Cardoso, ela “Gravou excelentes discos para a Sinter em 1951, mas os mesmos não tiveram boa repercussão devido a péssima qualidade técnica que o produto daquela gravadora ostentava na ocasião.” Ainda na década de 1950, abandonou a carreira artística e foi viver na Colômbia.

::::::::: PATRÍCIA GALVÃO (PAGU) :::::::::

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::::::::: ROSINHA MASTRÂNGELO :::::::::

A santista Rosina di Napolli Mastrangelo, carinhosamente chamada de Rosinha Mastrangelo, representa uma das maiores personalidades do meio cultural santista. Sua atuação no meio radiofônico, como cronista e escritora de radionovelas, foi de grande repercussão, assim como no meio jornalístico, onde exerceu o cargo de editora-chefe do Jornal O Diário e atuou como crítica de artes e cronista carnavalesca,assinando suas crônicas com o codinome de Pierrot Azul. Sua face literata – era também poetisa – e sua paixão pelas artes a levou a mobilizar governantes para que se efetivasse a construção do teatro municipal de Santos.Foi uma mulher à frente do seu tempo, conquistando espaço em um período cujos meios de comunicação eram predominantemente masculinos. 

::::::::: RUBENS FERREIRA MARTINS :::::::::

Nascido em Santos em 1916,  iniciou suas atividades profissionais no setor cafeeiro santista galgando a posição de corretor oficial de café. Foi um dos fundadores do PSP ( Partido Social Progressista) legenda  liderada pelo governador Adhemar de Barros. Foi nomeado por este prefeito de Santos em duas ocasiões, a primeira entre 1947 e 1948 e a segunda entre 1949 e 1950. Em sua segunda gestão foram iniciadas as obras do Túnel ligando a Praça dos Andradas até o bairro do Jabaquara, que posteriormente seria batizado com o seu nome. Foi ainda Deputado Federal entre 1950 e 1962, ano em que faleceu no exercício do mandato.

::::::::: SILVIO FERNANDES LOPES :::::::::

Nascido em Santos (SP) em 1924. Sílvio Fernandes Lopes cresceu no bairro santista da Vila Belmiro. No início dos anos 1940 muda-se para São Paulo para cursar Engenharia Civil pela Universidade Mackenzie. Em 1947 filia-se ao PSP (Partido Social Progressista), a convite do então governado Adhemar de Barros, onde militaria até 1965. É eleito vereador em 1948 e em 1957 assume seu primeiro mandato como Prefeito de Santos, cargo que ocuparia durante duas ocasiões ( 1957-1961) e ( 1965-1969). Foi também deputado estadual e Secretário Estadual de Obras e Transportes. Faleceu em 2005.

::::::::: VADICO :::::::::

De origem humilde, nascido no Morro da Nova Cintra em Santos, Vadico teve seu primeiro contato com o tênis ainda na infância, onde atuava como pegador de bolas no Tênis Clube de Santos. Aos 21 anos foi integrado ao elenco profissional do Tênis Clube, iniciando aí uma trajetória vitoriosa no esporte. Disputando campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais, Vadico se destacou nas quadras mundo afora, conquistando os títulos de campeão paulista, brasileiro e sul-americano.

::::::::: VALENTIM BOUÇAS :::::::::

Nasceu no dia 1º de setembro de 1891. Estudou nas escolas Cesário Bastos e Barnabé entre 1896 e 1904, e em seguida na Academia de Comércio José Bonifácio, diplomando-se em 1909. Se tornou representante da empresa norte-americana CTP, que se transformou na IBM em 1917, função que exerceria até 1949. Fundou em seguida a Companhia Serviços Hollerith, que passou a alugar máquinas da IBM no Brasil. Foi colaborador no governo Getúlio Vargas, sendo a pessoa responsável pelas trataivas da dívida externa. Foi presidente de várias empresas, como a Companhia Nacional de Máquinas Comerciais, Adressograph-Multigraph do Bra-sil S.A. e Companhia Imobiliária Santa Cruz, e diretor da Companhia Goodyear do Brasil, da Ferro Enamel S.A., da Companhia Swift do Brasil, da Panair do Brasil, da Companhia Brasileira de Material Ferroviário. Era ainda representante da American Bank Note Co. e consultor técnico da Armco Industrial e Comercial S.A. Veja mais em Memória Santista

::::::::: WALDEMAR ESTEVES DA CUNHA :::::::::

É impossível falar de Carnaval sem lembrar de Waldemar Esteves da Cunha, o nosso eterno Rei Momo. Nascido em 1920, no bairro do Campo Grande, filho de português com italiana, e folião de “carteirinha”, Waldemar iniciou sua trajetória em 1950, quando foi eleito pela primeira vez em um concurso promovido pelo extinto jornal “O Diário”, conquistando o posto de majestade do Carnaval. Encarnou o papel de Rei Momo por mais de quatro décadas (1950-1991), um recorde que ninguém no Brasil ou em qualquer outro país conseguiu alcançar. Apesar da “coroa pendurada” em 1991, Waldemar acabou aceitando o convite da Prefeitura para liderar a Corte por mais dois anos, em 2000 e 2001. Faleceu em 8 de abril de 2013, com 92 anos de idade.

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