Baralho Colonial

Personagens e fatos históricos ocorridos entre 1532 (ano que marcou o início do processo de colonização da Capitania de São Vicente) e 1822 (ano em que ocorreu a ruptura do Brasil com Portugal, encerrando o ciclo colonial do país).

::::::::: BRAZ CUBAS :::::::::

Cavaleiro fidalgo, nasceu na cidade do Porto (Portugal) em 1507. Filho de Pero Cubas, era homem de confiança de Martim Afonso de Sousa na missão colonizadora. Em 1541 foi alçado à condição de capitão-mor, sendo responsável pela mudança do porto da capitania de lugar e pela criação do primeiro hospital das Américas, a Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos. Entre 1545 e 1546, Braz Cubas fundaria a Vila de Santos. Veja mais sobre esse incrível personagem em Memória Santista

::::::::: ALEXANDRE DE GUSMÃO :::::::::

Alexandre de Gusmão foi um diplomata nascido na cidade de Santos, no Brasil Colônia, conhecido por seu papel crucial nas negociações, pelo Império Português, do Tratado de Madrid, assinado com a Espanha em 1750, que definiu os limites entre os domínios de ambas as potências coloniais na América do Sul e na Ásia . Veja mais em Memória Santista

::::::::: ANA PIMENTEL :::::::::

Ana Pimentel teve grande importância na construção do Brasil colonial. Casada com o nobre português Martim Afonso de Sousa, ela recebeu do marido a incumbência de administrar a capitania de São Vicente no dia 3 de março de 1534. Em 1536, Ana fez uma carta de doação de sesmaria para Brás Cubas, que só tomou posse efetiva das terras em 1540. 

::::::::: BARTOLOMEU DE GUSMÃO :::::::::

Bartolomeu Lourenço de Gusmão, cognominado o padre voador, foi um sacerdote, considerado o “Primeiro Cientista das Américas”, por suas grandes invenções, entre elas o o primeiro aeróstato operacional, a que chamou de “passarola”. Nasceu em Santos em 18 de dezembro de 1865.

::::::::: BERNARDO JOSÉ DE LORENA :::::::::

Embora tenha nascido em Campo Grande, freguesia de Lisboa (1756), Lorena veio para Santos ainda criança e aqui passou boa parte de sua juventude. Em 1786, foi nomeado governador da capitania de São Paulo, cujo governo durou nove anos e ficou marcado por suas obras de engenharia. A famosa Calçada do Lorena, o primeiro caminho calçado com pedras na Serra do Mar que ligou o litoral ao planalto e à cidade de São Paulo, foi uma de suas obras mais importantes. Em 1797 deixa a capitania de São Paulo para tornar-se governador e capitão-general em Minas Gerais e em 1806 foi nomeado Vice-Rei da Índia, último dos tantos cargos diplomáticos em que atuou. 

::::::::: CATARINA DE AGUILAR :::::::::

Colonizadora da capitania de São Vicente chegou ao Brasil com os primeiros donatários. Casou – se com Luis de Góes e, juntos, construíram em Santos – por volta de 1540 – uma pequena capela para veneração da Santa Catarina. Foi edificada ao pé de um outeiro com o nome da santa. Quando os ingleses atacaram a vila do Porto de Santos, lançaram ao mar a imagem sacra que se encontrava na capela erguida pelo casal. Esta voltou à terra anos depois , casualmente pescada numa rede. É provável que em 1553, Catarina e seu marido tenham deixado a capitania, porque venderam, nesse ano, sua moradia no Porto de Santos. 

::::::::: CHAGUINHAS :::::::::

O “Tiradentes Santista”, Francisco José das Chagas, foi enviado para chefiar a Revolta Nativista que havia irrompido em Santos no ano de 1821 – contra a diferenciação de tratamento entre soldados brasileiros e lusitanos do Primeiro Batalhão de Caçadores que situava-se nas proximidades do atual Outeiro de Santa Catarina.-. Sufocada a rebelião, em setembro do mesmo ano, Chaguinhas foi executado, no Campo da Forca, onde hoje está a Praça da Liberdade. O seu enforcamento, porém, não fora simples. Durante a execução, a corda chegou a romper três vezes, fazendo com que o povo suplicasse por perdão. A tarefa de matá-lo, no entanto, era clara e, na quarta tentativa Chaguinhas finalmente foi executado. E, tal qual Tiradentes, o bravo soldado santista teve o corpo esquartejado. 

::::::::: COSME FERNANDES :::::::::

Cosme Fernandes, o famoso bacharel de Cananéia, veio como degredado português, em 1502, na expedição de Gonçalo Coelho. Fortaleceu-se a tal ponto que, por volta de 1510, assumiu controle da feitoria portuguesa de São Vicente, onde instalou um porto para o tráfico de escravos, além de abastecer com víveres e suprimentos os navios europeus que por ali passavam. Por volta de 1516, São Vicente já era um promissor povoado. Quando Martim Affonso de Sousa chegou ao Brasil em 1531, quis reduzir o poder de Mestre Cosme, obrigando-o a confinar-se como degredado em Cananéia e Iguape. E Cosme foi, assim, o fundador da vila de Iguape, no litoral de São Paulo. Para vingar-se atacou, com seus coligados espanhóis e carijós, a Vila de São Vicente que foi saqueada e destruída. Os moradores fugiram apavorados e se refugiaram na povoação que surgia no Enguaguaçu.

::::::::: FREI JESUINO DO MONTE CARMELO :::::::::

O santista Jesuíno Francisco de Paula Gusmão nasceu em 1764 e é reconhecido como um dos principais artistas do período colonial em São Paulo. Negro e de origem humilde, Jesuíno tem duas inclinações quando criança: o sacerdócio e a pintura. Sua formação dá-se pela observação das poucas decorações de igrejas existentes na época em sua cidade natal, principalmente o templo do convento carmelita de Santos. Encanta-se com o barroco europeu e torna-se pintor, arquiteto, escultor, encarnador, dourador, entalhador, mestre em torêutica, músico e poeta. Em 1797, após concluir os estudos de latim, recebe a ordenação e é chamado a partir de então de Frei Jesuíno do Monte Carmelo. 

::::::::: HANS STADEN :::::::::

Hans Staden, nascido em Homberg, Alemanha, no ano de 1525, foi um viajante e mercenário conhecido por ter feito duas viagens ao Brasil no século XVI. Mas foi na segunda viagem que, após um naufrágio, chegou à feitoria portuguesa de São Vicente e lá foi convidado pelos portugueses para trabalhar como artilheiro em um forte em construção na região de Bertioga, e que dava proteção a São Vicente. Em seu relato, que ficou particularmente famoso, conta ter sido prisioneiro dostupinambás por nove meses. Os índios tinham como objetivo devorar Staden. Isso acontecia porque os tupinambás eram antropófagos e acreditavam que ao devorar a carne humana adquiririam as qualidades de seu adversário. 

::::::::: JOÃO RAMALHO :::::::::

João Ramalho foi um dos primeiros portugueses a viver em São Vicente, ainda nos primeiros anos de 1500. Embora seu passado seja ainda um mistério, sabe-se que viveu boa parte de sua vida entre índios tupiniquins, tendo papel importante na aproximação pacífica entre índios e portugueses. Casou-se com a famosa e bela Bartira, a filha do grande cacique Tibiriçá. Foi também um grande povoador, pois possuía inúmeras concubinas com as quais teve muitos filhos mamelucosque, no século XVII, ocuparam lugar de destaque na empreitada comercial-militar conhecida como bandeiras. João Ramalho é chamado, inclusive, de Patriarca dos Bandeirantes ou dos Mamelucos. 

::::::::: JOSÉ DE ANCHIETA :::::::::

José de Anchieta, nascido em 1534, foi um padre jesuíta espanhol e um dos fundadores das cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro. Permaneceu na Capitania de São Vicente por doze anos, aprendendo a língua tupi, catequizando e ensinando latim aos índios.  Foi missionário da Companhia de Jesus, também conhecido como o apóstolo do Brasil, graças ao seu trabalho de catequização em terras brasileiras. Para além de padre jesuíta, foi historiador, gramático, teatrólogo e poeta, sendo um dos primeiros autores da literatura brasileira, para a qual compôs inúmeras peças teatrais e poemas religiosos. José de Anchieta foi beatificado em 1980 e canonizado em 2014.

::::::::: LEONARDO NUNES :::::::::

O padre português Leonardo Nunes, missionário da Companhia de Jesus, foi o primeiro jesuíta a pisar na Capitânia de São Vicente, responsável pela catequização dos índios que viviam em nossa região no século XVI. Amigo de José de Anchieta e imortalizado pelos indígenas com o apelido de “Abarebebê”, ou padre voador, pela rapidez com que percorria e perambulava por todas as aldeias, foi Leonardo Nunes que construiu, com a ajuda dos índios, aquela que seria uma das primeiras igrejas do Brasil, nas Ruínas do Abarebebê, em Peruíbe. Também foi fundador e professor do primeiro colégio na Capitania de São Vicente.

::::::::: MARTIM AFONSO DE SOUSA :::::::::

Nobre, militar e administrador colonial português, Martim Afonso de Souza foi o responsável por comandar a 1ª expedição de colonização no Brasil, em 1530. No começo de 1532, funda oficialmente a 1ª vila em terras brasileiras: São Vicente. Mais tarde, quando o território brasileiro foi dividido em capitanias hereditárias, Martim Afonso de Souza recebeu a capitania de São Vicente e a do Rio de Janeiro, as quais foi o primeiro donatário. 

::::::::: THEBAS :::::::::

Joaquim Pinto de Oliveira (1721-1811), mais conhecido como Thebas, foi um escravo santista que revolucionou a arquitetura paulistana no século 18, reconhecido como um dos primeiros arquitetos de São Paulo pelo sindicato da categoria. Dentre suas principais obras estão as fachadas da Igreja da Ordem 3ª do Carmo (1777) e da Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco (1783). Também seria o escravo arquiteto responsável pela construção da torre principal da primeira Catedral da Sé (1750) e do frontispício do Convento de Santa Teresa. A mais destacada de todas, porém, foi o Chafariz da Misericórdia, o primeiro chafariz público da história de São Paulo. 

::::::::: THOMAS CAVENDISH :::::::::

Um dos mais destemidos corsários da história, Thomas Cavendish foi considerado o terceiro circunavegador do globo. Partindo da Inglaterra e navegando pelos mares em busca de riquezas, apareceu em Santos, onde efetuou um ataque de surpresa na noite de 25 de dezembro de 1591, quando se comemorava o Natal com a realização de uma missa na Matriz. A igreja foi cercada e invadida pelos piratas, que saquearam tudo e prenderam os mais importantes homens da vila (Braz Cubas, José Adorno, Jerônimo Leitão e outros). Os edifícios públicos foram todos saqueados e a maior parte queimados, inclusive a Capela de Santa Catarina, que foi praticamente destruída. Durante o ataque levaram também as relíquias da igreja para bordo e lançaram a imagem de Santa Catarina de Alexandria no mar – a qual veio à terra, décadas depois, agarrada numa rede de pesca manuseada por alguns escravos dos Jesuítas. 

::::::::: TIBIRIÇÁ :::::::::

O Cacique Tibiriçá, um importante líder indígena tupiniquim dos primórdios da colonização portuguesa do Brasil, foi forte aliado dos jesuítas e amigo dos portugueses. Chefe de uma grande nação indígena, pai da índia Bartira (cuja mãe era a índia Potíra) e sogro do português João Ramalho, ele comandou o desarmamento frente à esquadra de Martim Afonso de Sousa, garantindo a chegada tranquila do fundador à nova terra. Teve papel destacado nos eventos relacionados à fundação da atual cidade de São Paulo, em 1554. 

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