Baralho Imperial

O baralho Imperial concentra-se no período que vai da Proclamação da Independência à Proclamação da República e reúne personagens marcantes dos I e II Império. Neste período Santos se desenvolve e começa a sua transformação graças às riquezas do café. Acontece a ligação seca entre a vila e o pé de Serra e surgem diversas comodidades por conta das modernidades trazidas da Revolução Industrial.

::::::::: ALFAYA RODRIGUES :::::::::

Comendador João Manuel Alfaya Rodrigues foi um dos homens mais influentes de seu tempo na cidade de Santos. Alfaya Rodrigues foi vereador no período de 1887 a 1890. Voltou à Câmara Municipal de Santos nas legislaturas de 1917/1920, 1920/1923, 1923/1926 e 1926/1929. Ocupou a vice-presidência da Câmara e presidiu a Mesa Diretora em 1927 e 1928. Como vereador, muito lutou para a transferência das cinzas de Bartolomeu de Gusmão para Santos e foi um dos responsáveis pela construção do monumento a Brás Cubas, inaugurado a 26 de janeiro de 1908.

::::::::: ANTONIO CARLOS DE ANDRADA :::::::::

Irmão de José Bonifácio e Martim Francisco, ficou conhecido pela mordacidade de seu discurso contra o despotismo e pelo seu envolvimento na Revolução Pernambucana, além de seu envolvimento e papel de grande importância durante a primeira Assembleia Constituinte de 1823.

::::::::: ANTONIO LUIS GONZAGA :::::::::

Ele morava na Barra, na chácara de George Holden. Trabalhador que fora do mestre de obras Tomáz Antônio de Azevedo, passou mais tarde a construtor, marceneiro, avaliador forense e acabou intermediário de negócios. Mas tornou-se popular como dono de botequim. Quando, em 1888, a chácara de George Holden foi atravessada pelos trilhos da empresa de “bondes de burro”, explorada por esse homem e grande evidência na vida de Santos do outro século, que foi Matias Costa, o nosso Gonzaga abriu um botequim que se tornou muito conhecido por ser o local obrigatório de passagem dos bondinhos – o ponto do Gonzaga – como chamavam ao local, pois era ali que os carros deixavam as encomendas e os passageiros se abrigavam do sol ou da chuva.

::::::::: BARÃO DE PARANAPIACABA :::::::::

João Cardoso de Meneses e Sousa, o Barão de Paranapiacaba, nascido em Santos, formou-se em 1848 pela Faculdade de Direito de São Paulo, residiu alguns anos em Taubaté, onde foi professor de história e geografia. Depois exerceu advocacia na corte no Rio de Janeiro, até 1857. Então entrou para a repartição geral da fazenda, onde exerceu diversas funções no Rio, São Paulo e Pernambuco. Em 1862, foi incumbido, com José de Alencar, de elaborar o plano de criação do Teatro Nacional. Chegou a censor teatral e presidiu o Conservatório Dramático, quando Machado de Assis era um dos seus censores, em 1871. Foi deputado por Goiás, de 1873 a 1876. Recebeu, por Decreto Imperial de 8 de maio de 1883, o título de Barão de Paranapiacaba. É recipiente da comenda da Imperial Ordem da Rosa.

::::::::: MARQUESA DE SANTOS :::::::::

Marquesa de Santos foi o título pelo qual ficou conhecidaa paulistana Domitila de Castro Canto e Melo (1797 – 1867). A marquesa teve a sua vida marcada por ter sido amante do imperador d. Pedro I durante sete anos, período no qual obteve títulos e riquezas. Rompeu os padrões de comportamento que se esperava de uma mulher de seu tempo. Teve grande envolvimento nas questões nacionais, como quando doara considerável quantia à Guerra da Cisplatina (1825-1828). Quarenta anos depois, durante a Guerra do Paraguai (1864-1870), abrigou em sua fazenda a tropa que marchava para Mato Grosso, presenteando soldados e oficiais com dinheiro.

::::::::: JOÃO OCTÁVIO DOS SANTOS :::::::::

Nascido em 8 de março de 1830, fruto de um caso fortuito de um importante membro da tradicional família Nébias e a negra escrava Escolástica Rosa, o santista João Otávio dos Santos era autodidata, com uma inteligência privilegiada. Tornou-se um próspero comerciante. Dono de grande fortuna dedicou seus dez últimos anos de existência exclusivamente à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia. João Otávio ditou ao testamenteiro Júlio Conceição que, por não possuir nenhum herdeiro, desejava deixar um legado que pudesse gerar oportunidades aos jovens carentes da cidade. Sua vontade expressa era que boa parte da herança fosse utilizada para a viabilização e manutenção de lugar destinado para esse fim, que receberia o nome “Dona Escholástica Rosa”, em memória de sua mãe (falecida em 1853).

::::::::: JOAQUIM OTÁVIO NÉBIAS :::::::::

Joaquim Otávio Nébias – conhecido como Conselheiro Nébias – foi juiz municipal de Santos em 1834. Um ano depois atuou como deputado provincial em São Paulo e também como presidente da mesma província (1852). Foi deputado geral, presidente da Câmara dos Deputados (1869- 1870), ministro da Justiça, além de ser também conselheiro imperial de D. Pedro II, entre outros cargos. Um fato interessante sobre a avenida é que, antes de ser batizada como Conselheiro Nébias, a famosa via era chamada de Rua Otaviana. A alteração de nome foi apenas em 10 de fevereiro de 1887. Joaquim Otávio Nébias nasceu em Santos, no dia 1 de junho de 1811, e morreu no Rio de Janeiro, em 15 de julho de 1872.

::::::::: JOAQUIM XAVIER DA SILVEIRA :::::::::

Osantista Joaquim Xavier da Silveira (1840 – 1874) foi um poeta, jornalista, advogado e importante líder abolicionista brasileiro. Trabalhou no comércio, como auxiliar de escritório e guarda-livros, e cursou a Faculdade de Direito de São Paulo, donde saiu formado em 1865. Jornalista, jurisconsulto e tribuno, foi reconhecido como grande orador e defensor da causa da libertação dos escravos no Brasil. Faleceu ainda jovem com apenas 34 anos, vítima da varíola que grassava no município. Realizou várias obras como poeta. Seu livro mais conhecido, Poesias, foi publicado em 1902 pelas mãos de seu filho, Joaquim Xavier da Silveira Júnior. Destacam-se também as obras Porque Amo a Noite, Só e História de Um Escravo.

::::::::: JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA :::::::::

Conhecido como Patriarca da Independência por seu papel decisivo na Independência do Brasil, o santista José Bonifácio foi um dos maiores nomes do Brasil do século XIX, essencial para a consolidação do Brasil e um homem à frente do seu tempo – principalmente devido a sua luta contra a escravidão. Grande estudioso possuía uma inteligência rara: foi um naturalista, estadista e poeta luso-brasileiro. Ele cursou ciências naturais e direito em Coimbra, destacando-se como geólogo. Descobriu quatro minerais, incluindo a petalita, que mais tarde permitiria a descoberta do elemento lítio, e a andradita, batizada em sua homenagem. Quando da abdicação de Dom Pedro I, em 1831, assumiu a tutoria de seu filho que viria a ser Dom Pedro II. 

::::::::: JOSÉ MARQUES PEREIRA :::::::::

Imigrante português, natural da cidade do Porto, José Marques Pereira chegou ao Brasil desembarcando no Rio de Janeiro em 1893 e seguiu para a Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo. Mas foi pela cidade de Santos que José Marques havia se encantado e foi onde se fixou. Abriu uma loja de armarinhos chamada “A FAMA”. Os contatos que fez na cidade e as atividades promovidas pelo Centro Português colaboraram para sua formação cultural. Tornou-se um importante fotógrafo de Santos e, assim, “A Fama” deu lugar à “Photographia União”. Seu ateliê fotográfico também se tornou casa editora, produzindo os mais antigos cartões postais do município, que geralmente traziam suas fotografias estampadas em uma das faces. Ao registrar os mais diversos aspectos de Santos tornou-se um dos responsáveis pela consolidação da memória visual da cidade.

::::::::: MARIA PATRÍCIA :::::::::

Conhecida como a “Mãe Negra do Povo Santista”, Maria Patrícia nasceu em Santos, em 1838, filha de Patrício e Joana, ambos pretos forros da família Andrada.  Batizada na Igreja Matriz, teve como padrinhos João Bonifácio de Andrada e Ana Joaquina. Passou a dedicar-se na profissão de parteira, onde se empenhou ao máximo na tarefa de trazer a vida e a esperança para este mundo. Dedicada e atenciosa, ganhou fama entre os santistas. De parto em parto, sem distinção a quem atender, fosse rico ou pobre, negro ou branco, Maria Patrícia foi responsável pelo nascimento de centenas de santistas. 

::::::::: MARTIM FRANCISCO R. ANDRADA :::::::::

O santista Martim Francisco Ribeiro de Andrada (1775- 1844), irmão de José Bonifácio de Andrada e Silva, era bacharel em Matemática e doutorado em Ciências Naturais pela Universidade de Coimbra. Foi um naturalista e político brasileiro, presidente da Câmara do Deputados e ministro da Fazenda no período Império do Brasil. Do casamento com sua sobrinha Gabriela Frederica (filha de José Bonifácio), teve três filhos que tiveram ampla atuação no cenário político do Brasil: José Bonifácio, o Moço, Martim Francisco Ribeiro de Andrada e Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. Também pesquisou sobre mineralogia e estatística. Deixou obras escritas como Diário de uma Viagem Mineralógica pela Província de S. Paulo no Anno de 1805

::::::::: MILITÃO AUGUSTO DE AZEVEDO :::::::::

O carioca Militão Augusto de Azevedo (1837-1905), um dos maiores nomes da fotografia brasileira na segunda metade do século XIX, deixou um legado único de documentação da cidade de São Paulo entre os anos de 1860 e 1880, quando ainda eram raros os registros urbanos no Brasil. Desenvolveu paralelamente as carreiras de ator e fotógrafo, mudando-se para São Paulo aos 25 anos de idade. Em 1887, Militão divulga o “Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862-1887)”, definindo um modelo para o estilo de fotografia paisagística urbana com enfoque na comparação entre épocas distintas. Em Santos, realizou outros álbuns da mesma espécie como o “Álbum de vistas da Cidade de Santos” (1864-65), onde realizou uma série de fotografias abrangendo toda a cidade de Santos, retratando as intensas transformações que a cidade passava no período. 

::::::::: QUINTINO DE LACERDA :::::::::

Nascido escravo, em 1855, na cidade serrana de Itabaiana, em Sergipe, Quintino de Lacerda foi vendido como escravo aos 19 anos e veio para Santos junto ao seu senhor. Alforriado, foi o primeiro líder político negro de Santos. Tornou-se um herói abolicionista, líder do Quilombo do Jabaquara e primeiro vereador negro do Brasil. Recebeu a patente de Major honorário do Exército Nacional. Participou ativamente de grandes eventos nacionais, dentre eles a Revolta da Armada.

::::::::: SACRAMENTO MACUCO :::::::::

Nascido em Santos, em 1851, José André do Sacramento Macuco desde cedo iniciara suas atividades intelectuais: em 1871 fundou, ao lado de Hyppolito da Silva e Antonio Manoel Fernandes o jornal O Pyrilampo. Frequentou a Universidade de Pennsylvania, obtendo diploma de bacharel em direito. Voltando para Santos, ainda de parceria com seus antigos colaboradores, fundou O Raio, iniciando a campanha abolicionista da cidade. Sua atuação no júri local foi brilhante, sendo nomeado promotor público de Santos e delegado de polícia. Foi também vereador da Câmara Santista e um dos redatores e signatários da Constituição Política do Município, promulgada em 1894. Sacramento Macuco também foi um grande dramaturgo e seus escritos tinham cunho libertário. A história do bairro do Macuco está ligada à tradicional família de Sacramento Macuco, possuidora de quase todas as terras que formaram o bairro.

::::::::: VISCONDE DE SÃO LEOPOLDO :::::::::

Santista, José Feliciano Fernandes Pinheiro, primeiro e único visconde com grandeza de São Leopoldo, foi um escritor, jurista e político brasileiro cuja atuação foi essencial para a implantação das faculdades de direito no país. Aos 18 anos parte para Portugal, onde conclui seus estudos das ciências jurídicas, dedicando-se especialmente ao direito canônico, na Faculdade de Coimbra. Em 1823, propõe a criação de uma universidade em São Paulo ou, ao menos, um curso de Ciências Jurídicas e Sociais. Foi também um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, em 1838, sendo eleito o seu primeiro presidente. 

::::::::: VISCONDE DO EMBARÉ :::::::::

Antônio Ferreira da Silva Júnior, nasceu em Santos, em 31 de dezembro de 1824. Dedicou-se à atividade comercial, tornando-se figura de destaque na sociedade e no comércio santistas. Foi coronel comandante da antiga Milícia e mais de uma vez exerceu a função de delegado de polícia. Em 1854-1855 Foi indicado para o cargo de Deputado Provincial, na Câmara de São Paulo, cumprindo mandato entre os anos de 1854-1855. Fez parte igualmente da Câmara Municipal de Santos, desde o ano de 1863 a 1875.Estando ligado ao comércio, foi um dos fundadores da antiga Praça do Comércio, hoje, Associação Comercial de Santos. Dedicou-se à filantropia, ingressando e tornando-se provedor da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia e realizando doações para a construção do Grupo Escolar “Olavo Bilac” e da primeira Capela de Santo Antônio do Embaré, na Praia do Boqueirão. Faleceu no Rio de Janeiro a 21 de dezembro de 1887.

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