Baleia Gigante Moby Dick visita Santos

Segunda-feira, 29 de janeiro de 1956. A Praça dos Andradas vivia um movimento maior do que o normal. Em pleno Verão, calorão no centro santista, homens, mulheres e dezenas de crianças se aglomeravam para verem de perto o que a imprensa já vinha anunciando havia alguns dias: uma atração internacional, descomunal, única e espetacular. Chegava a Santos a tão falada baleia Moby Dick, apontada como sendo a estrela de um dos filmes de maior bilheteria do cinema nos anos 1950. O animal marinho, de 20 metros de comprimento e 60 toneladas de peso, chegou a Santos para ser exposta ao público local. Mas, a pergunta de qualquer leitor, diante desta introdução, seria: Mas como? Expor uma baleia deste porte no meio de uma praça urbana?

Acontece que a “Baleia Gigante”, como era anunciada nos reclames dos principais jornais do país, circulava nas exposições, morta! Sim, a atração Moby Dick era literalmente um “cadáver” de uma baleia jubarte, que fora pescada no Oceano Atlântico, entre Portugal e Marrocos. Para não se decompor, os promotores do evento a mantinham, durante as viagens, imersa em 7.000 litros de formol. Durante as exposições, o animal era tirado da imersão e colocado no seco. Ainda assim, mesmo sesta situação recebia, todos os dias, uma aplicação de 500 litros de formol na pele.

Moby Dick vinha de uma “turnê” pela Europa e desembarcara na América do Sul no ano anterior, vindo como passageira do navio “Lloyd Nicarágua”. Foi exposta no Rio de Janeiro e em São Paulo. A decisão de descer a Serra para expô-la para os santistas foi motivada pelo título que o Santos Futebol Clube ganhara dias antes (o segundo campeonato paulista, de 1955). O alvinegro da Vila Belmiro, por feliz coincidência para os donos da Moby Dick, tinha como mascote justamente uma baleia. Aí foi juntar a fome com a vontade de comer. Nas mensagens publicitárias publicadas na imprensa santista, Moby era apresentada como “O Símbolo da Vitoriosa Equipe do Santos FC”.

Nas propagandas de rádio e jornal, os promotores chamavam a atenção do público, evidenciando os tamanhos colossais do animal. “Para estudo e ilustração das crianças, para distração dos adultos. Veja de perto uma verdadeira baleia, em carne e osso com 8.000 litros de sangue e cuja língua pesa 2.000 quilos.  Vejam só que físico! Com 20 metros de comprimentos e 60 toneladas de peso, Moby Dick é simplesmente sensacional!”

A ideia dos promotores era fazer com que o povo brasileiro realmente acreditasse se tratar da mesma baleia estrela de livros e filmes de cinema. “Crianças, adolescentes, adultos, todos vão gostar muito de conhecer MOBY DICK, famosa em toda a Europa. Já se escreveram milhares de artigos e livros sobre ela”, propagavam as chamadas publicitárias. E muitos acreditaram!

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